“Estamos conseguindo curar mais o câncer”, afirma médico oncologista

O médico oncologista Leandro Brust afirmou que os avanços recentes na oncologia têm ampliado as taxas de cura e melhorado a qualidade de vida de pacientes com câncer, inclusive em casos avançados. Em entrevista, ele destacou que, em algumas cidades brasileiras, como Porto Alegre, o câncer já supera as doenças cardiovasculares como principal causa de morte. “A gente está conseguindo curar mais o câncer e estamos conseguindo controlar o câncer, as pessoas estão vivendo mais, mesmo com doença avançada, com qualidade de vida”, afirmou.

No câncer de próstata, Brust ressaltou a importância do rastreamento com PSA e toque retal, além da evolução nos tratamentos cirúrgicos. A cirurgia robótica, já incorporada pelos planos de saúde e disponível pelo SUS em Porto Alegre, tem reduzido complicações. “Você tem uma precisão maior nos cortes. Em tese, você vai ter um índice de complicações menores”, explicou. Segundo ele, a técnica pode diminuir casos de impotência pós-operatória e acelerar a recuperação.

A radioterapia também avançou com técnicas de planejamento tridimensional e intensidade modulada, que permitem direcionar melhor a dose ao tumor e preservar tecidos saudáveis. “O raio acaba incidindo cada vez com mais precisão em cima do tumor, propriamente dito”, disse. Em grandes centros, há ainda terapias com prótons, consideradas mais avançadas e com menos efeitos colaterais.

Em relação ao câncer de mama, o oncologista reforçou a importância do diagnóstico precoce. “Não tenha medo de descobrir”, alertou. Ele destacou que, quando identificado cedo, as taxas de cura podem chegar a 80% ou 90%. Brust recomendou mamografia pelo menos a partir dos 50 anos, com tendência de início aos 45, além de atenção redobrada para mulheres com histórico familiar.

O médico também enfatizou os avanços nos tratamentos, especialmente com medicamentos chamados anticorpos monoclonais. “Foram os maiores resultados que a gente já viu na medicina, no tratamento do câncer de forma geral, dos últimos 10 anos, com certeza. Resultados absurdos”, afirmou. Esses medicamentos atuam de forma mais seletiva nas células tumorais, reduzindo danos às células saudáveis e, em alguns casos, substituindo a quimioterapia tradicional.

Por fim, Brust destacou a prevenção como fator determinante na redução de casos. Segundo ele, sobrepeso e sedentarismo estão diretamente associados ao aumento do risco de diversos tipos de câncer. “Pratique exercício físico. Cuide o sobrepeso”, orientou. De acordo com o oncologista, atividade física regular e controle do peso podem reduzir a incidência de pelo menos 14 tipos diferentes de câncer.

Com informações da Independente

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