Câncer de mama: as diferenças no enfrentamento no SUS e na rede particular

Um estudo populacional de grande escala realizado no estado de São Paulo evidenciou desigualdades marcantes no diagnóstico e na sobrevida de mulheres com câncer de mama atendidas nas redes pública e privada de saúde. A pesquisa avaliou 65.543 pacientes diagnosticadas entre 2000 e 2020, com base em dados da Fundação Oncocentro de São Paulo (Fosp), instituição vinculada à Secretaria de Saúde estadual. O trabalho foi publicado na revista científica Clinical Breast Cancer, da Elsevier, sob coordenação de Gustavo Nader Marta, médico do Hospital Sírio-Libanês, com participação de pesquisadores do Brasil, Canadá e Estados Unidos.

Considerado um dos poucos estudos brasileiros de base populacional a quantificar de forma rigorosa o impacto do sistema de saúde dual na sobrevida a longo prazo, o levantamento comparou mulheres atendidas pelo SUS e pela saúde suplementar. Os dados mostram que pacientes da rede privada foram diagnosticadas com maior frequência em estágios iniciais: 41% no estadio I, contra 21% no SUS. Já os casos avançados (estadios III e IV) foram significativamente mais comuns na rede pública.

A análise da sobrevida global em dez anos também apontou diferenças consistentes. No estadio I, a sobrevida foi de 81,6% na saúde suplementar e 77,5% no SUS. No estadio II, 74% contra 63,3%. No estadio III, 55,6% frente a 39,6%. No estadio IV, 7,6% contra 6,4%. A análise multivariada indicou que o tratamento no sistema privado esteve associado a uma redução de 41% no risco de morte, mesmo após controle de variáveis clínicas.

Segundo os pesquisadores, o acesso mais facilitado à mamografia na saúde suplementar pode explicar parte das diferenças. Apesar dos avanços do SUS no tratamento oncológico, a cobertura mamográfica atinge apenas 33% da população-alvo, quando o ideal seria 70%. O estudo aponta que diferenças estruturais no acesso ao diagnóstico precoce, organização do cuidado e infraestrutura influenciam diretamente os desfechos e reforça a necessidade de políticas públicas para ampliar a equidade no enfrentamento do câncer de mama.

Conteúdo resumido a partir de matéria publicada no portal do Estado de Minas. Leia a versão completa no site oficial.

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