O diagnóstico de câncer de pâncreas chegou de forma inesperada para Edgard de Luna. Aos 42 anos, pai de duas filhas pequenas e sem histórico de doenças graves, ele acreditava que receberia alta hospitalar quando uma oncologista entrou em seu quarto para informar que os exames haviam identificado um adenocarcinoma de pâncreas. Sozinho, ele ouviu o diagnóstico e, ao pesquisar sobre a doença na internet, encontrou uma informação desanimadora: uma expectativa de vida de apenas cinco meses.
Meses antes, Edgard havia começado a sentir dores no estômago. Inicialmente, recebeu diferentes diagnósticos, como verminose, gastrite e infecção por H. pylori. Mesmo após tratamentos, os sintomas persistiram. Quando a dor se espalhou para as costas, foi atribuída a uma possível lesão muscular relacionada à prática de capoeira. Somente após quase três meses de sintomas uma médica decidiu investigar mais profundamente e solicitou uma tomografia com contraste. O exame revelou uma alteração suspeita no pâncreas, levando à internação imediata.
Paradoxalmente, a dor nas costas acabou sendo decisiva para a descoberta da doença. O tumor pressionava uma artéria importante, provocando o sintoma que permitiu o diagnóstico antes que o câncer atingisse um estágio ainda mais avançado. Embora não fosse considerado claramente operável, também não era totalmente inoperável, sendo classificado como borderline para ressecabilidade.
A equipe médica optou por iniciar quimioterapia neoadjuvante para reduzir o tumor antes da cirurgia. Foram 12 sessões ao longo de vários meses. Apesar de conseguir manter parte de sua rotina de trabalho durante o tratamento, o desgaste físico se acumulou e trouxe momentos difíceis. Ao final da quimioterapia, os exames mostraram redução suficiente para que a cirurgia fosse realizada.
O procedimento durou nove horas e envolveu uma pancreatoduodenectomia, uma das cirurgias mais complexas da área abdominal. A operação foi considerada um sucesso, e todo o tumor visível foi removido.
Entretanto, pouco tempo depois, exames apontaram uma possível recidiva próxima ao local operado. Como uma nova quimioterapia não era recomendada naquele momento, os médicos avaliaram alternativas. Entre elas estava a ablação por radiofrequência, técnica ainda pouco utilizada em situações como a de Edgard. O tratamento consiste na introdução de uma agulha guiada por tomografia até a lesão, utilizando calor para destruir o tecido doente sem removê-lo cirurgicamente.
O procedimento foi realizado pelo radiologista intervencionista Ricardo Freitas. Apesar da dor intensa no pós-procedimento, os resultados foram positivos. Nos meses seguintes, os exames não identificaram novas recidivas. Com o passar dos anos, a ausência de sinais da doença permaneceu.
Hoje, cerca de oito anos após a ablação, Edgard de Luna tem 50 anos e não apresenta doença detectável. Seu caso vem sendo documentado para publicação científica e apresentado em congressos médicos por representar uma evolução rara para um câncer conhecido pelo prognóstico desfavorável. Atualmente, ele mantém acompanhamento regular, convive apenas com uma neuropatia leve decorrente da quimioterapia e leva uma vida sem limitações funcionais significativas.
Conteúdo resumido a partir de matéria publicada no portal do g1. Leia a versão completa no site oficial.
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