Falta de equidade no SUS afeta diagnóstico de câncer, alerta especialista

Na manhã da última terça-feira (29/4), o Correio Braziliense em parceria com a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) — promoveu o Summit Propriedade Intelectual: Desafios e Avanços na Proteção à Inovação com especialistas e autoridades para discutir temas que envolvem ciência, tecnologia e saúde pública. No segundo bloco do evento, voltado ao impacto social da inovação de medicamentos para pacientes com câncer, a presidente e fundadora do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz de Camargo Barros, trouxe um panorama sobre os desafios enfrentados por pacientes oncológicos no Brasil.

Com base em dados alarmantes, Luciana lembrou que o câncer já é parte da realidade da maioria dos brasileiros. “Oito em cada dez brasileiros já tiveram algum contato com o câncer, quatro em cada dez já tiveram câncer, ou alguém realmente muito no núcleo, próximo, familiar”, afirmou. E completou: “Estamos diante da doença que mais vai matar brasileiros nos próximos anos, então uma doença que sem dúvida precisa de muito mais atenção, que já chegou muito pertinho das pessoas, e ainda vai chegar, ainda mais perto”.

De acordo com estimativas, o país registra 704 mil novos casos de câncer por ano, sendo que mais da metade é diagnosticada em estágios avançados. Luciana enfatizou que o diagnóstico tardio agrava o sofrimento dos pacientes e expõe as desigualdades na saúde pública: “Quem você é, onde você mora, de quem você gosta, se você tem ou não educação ou dinheiro, fazem, sim, muita diferença com relação a se você vai viver ou não diante de um diagnóstico de câncer”.

Ela relatou ainda os resultados de um estudo realizado pelo Oncoguia, intitulado Meu SUS é diferente do seu SUS, que mostra como o local onde o paciente mora pode determinar o tipo de tratamento a que ele terá acesso. “Acabamos constatando que sim, o meu SUS continua diferente do seu, mais uma vez trazendo o quanto a falta de equidade continua acontecendo de forma generalizada no nosso país”.

Apesar do cenário desafiador, Luciana destacou que há boas notícias. A ciência e a tecnologia vêm avançando no campo da oncologia, com tratamentos mais eficazes, menos tóxicos e capazes de oferecer mais tempo e qualidade de vida. Ela pontuou que essas inovações, no entanto, ainda não alcançam a todos. “Inovar o medicamento oncológico é muito mais do que lançar uma nova fórmula no mercado. É reacender a esperança onde havia antes silêncio, é reescrever histórias que pareciam ter um final anunciado. Cada inovação que chega transforma a vida dos pacientes, permitindo não apenas mais dias, mas mais vida em cada”, conclui.

Com informações do Correio Braziliense


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