Feridas que insistem em voltar, manchas brancas ou avermelhadas e machucados que não cicatrizam muitas vezes passam despercebidos. Mas podem ser o início de um problema sério. O alerta é do médico radiologista Felipe Roth Vargas, que chama a atenção para o diagnóstico precoce do câncer de boca, condição que, segundo ele, tem crescido no Brasil e ainda é descoberta tardiamente em grande parte dos pacientes.
Sinais de alerta que pedem atenção
O câncer de boca pode afetar língua, gengivas, bochechas, céu da boca, assoalho bucal e lábios. Embora mais comum em homens acima de 40 anos e associado ao cigarro e ao consumo excessivo de álcool, não é exclusivo desse grupo. “Casos em jovens vêm aumentando, principalmente por conta do vírus HPV”, afirma Vargas.
Para o médico, é essencial observar mudanças sutis. “Em alguns casos, essas lesões persistentes são o primeiro alerta do câncer de boca”, diz. Ele destaca que olhar a língua, o interior das bochechas e os lábios regularmente ajuda a notar alterações precoces.
Diagnóstico precoce faz diferença
O maior risco, ressalta Vargas, é o silêncio da doença nos estágios iniciais. “Esse tipo de câncer costuma evoluir em silêncio”, afirma. Quando os sintomas ficam claros — dor, sangramento, dificuldade para falar ou engolir e mau hálito persistente —, “a doença já está em estágios mais avançados”, completa.
A ida ao dentista pode mudar esse cenário. “O exame clínico da cavidade oral, feito durante uma consulta de rotina, permite identificar alterações suspeitas ainda em fases iniciais”, explica. Em caso de dúvida, o encaminhamento para uma biópsia simples confirma ou descarta o diagnóstico. “Quando o câncer é identificado cedo, o tratamento é muito mais eficaz, e a preservação da função e da estética é mais provável”, diz.
As campanhas de saúde bucal também ampliam o foco para além dos dentes. “O cuidado com a boca precisa incluir também a observação de tecidos moles e a valorização de sintomas sutis, mesmo quando não causam incômodo”, reforça.
O autocuidado é parte da prevenção. “Qualquer ferida que não cicatrize em duas semanas, mesmo sem dor, deve ser avaliada por um profissional”, orienta o médico.
Vargas resume o recado: “O câncer de boca é evitável, tratável e, muitas vezes, curável, mas só se for descoberto a tempo.” E conclui: “Se a sua boca é o que te conecta ao mundo para falar, sorrir, comer, cantar, se expressar, cuidar dela é cuidar da sua identidade.”
📌Fonte: Projeto AMIGOS, com informações da Nova Brasil
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