59% das mulheres com câncer de mama avançado enfrentam problemas financeiros

A reportagem da Veja Saúde revela os resultados de uma pesquisa global focada nas experiências de mulheres jovens com câncer de mama avançado e os desafios que enfrentam, especialmente do ponto de vista financeiro, familiar e de acesso ao tratamento. O estudo, conduzido pelo Projeto 528 e baseado em 3.800 respostas de participantes em 67 países — incluindo 385 mulheres com menos de 40 anos — destaca que mais da metade dessas pacientes (52%) é responsável pelo cuidado principal de filhos menores de 18 anos, o que aumenta sua sobrecarga no contexto da doença e do tratamento.

Após o diagnóstico, muitos enfrentam dificuldades no trabalho (seis em cada dez relataram impacto negativo em suas atividades profissionais), e problemas financeiros significativos, com 59% reportando dificuldades para pagar contas e 40% acumulando dívidas médicas. A sensação de estabilidade financeira, que antes do diagnóstico ainda era relatada por metade do grupo, caiu para apenas 20% depois de iniciado o tratamento. Além disso, para 36% das entrevistadas, o custo dos tratamentos foi um fator que influenciou a escolha da terapia.

Especialistas destacam que, embora o câncer de mama em mulheres jovens não seja a forma mais comum da doença, ele tende a ser biologicamente mais agressivo do que em mulheres mais velhas, com maior chance de tumores difíceis de tratar, como o triplo negativo, e associados a fatores hereditários.

A desigualdade no acesso a exames e tratamentos também foi evidenciada. Apesar de a maioria ter feito testes genéticos para mutações hereditárias, apenas cerca de 59% tiveram acesso a testes genômicos do tumor, essenciais para orientar terapias mais precisas, e menos da metade recebeu mais de uma opção de tratamento.

Outro aspecto destacado foi o impacto na saúde mental, sexualidade e fertilidade. Cerca de 80% relataram sofrimento psicológico, incluindo efeitos sobre a imagem corporal e medo de perder a fertilidade. A maioria disse que suas relações afetivas e sexuais mudaram após o início da doença, e apenas uma pequena parcela não registrou mudanças nessas áreas.

A preservação da fertilidade, como a coleta de óvulos antes da quimioterapia, foi discutida, porém apenas 13% das mulheres receberam esse tipo de orientação antes do tratamento — uma lacuna apontada como importante para o planejamento familiar e qualidade de vida das pacientes.

Por fim, a pesquisa evidenciou que redes de apoio, incluindo comunidades online, tiveram papel decisivo no suporte emocional, embora menos da metade tenha sido orientada a participar delas. A oncologista consultada reforça que o cuidado com a saúde mental deve ser parte integrante do tratamento multidisciplinar, ajudando a aliviar o impacto emocional e físico da jornada da doença.

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