A ideia de que existem alimentos totalmente “proibidos” vem perdendo espaço na nutrição moderna. Especialistas defendem que o mais importante não é rotular alimentos como vilões ou mocinhos, mas analisar o contexto geral da alimentação e o padrão alimentar mantido ao longo da vida. Segundo nutricionistas entrevistados, equilíbrio, moderação e constância são fatores mais relevantes para a saúde do que restrições radicais.
A nutricionista Lara Natacci, pesquisadora da USP, explica que nenhum alimento precisa ser excluído da rotina sem necessidade clínica comprovada. Casos de alergias alimentares ou intolerâncias graves exigem acompanhamento médico e exames específicos para confirmar o diagnóstico antes da retirada definitiva de ingredientes do cardápio. Ela mesma precisou eliminar o abacaxi após desenvolver reações alérgicas severas, incluindo inchaço e vermelhidão no rosto.
A nutricionista Renata Juliana da Silva reforça que nenhum alimento isolado determina sozinho a qualidade da dieta. O foco deve estar no conjunto das escolhas feitas diariamente. Já Valéria Machado destaca que saúde não deve ser baseada em radicalismos, mas em consistência e equilíbrio. Mesmo alimentos menos saudáveis podem ser consumidos eventualmente, em ocasiões especiais, sem comprometer uma rotina alimentar equilibrada.
Entre os itens evitados pelos profissionais estão as carnes processadas, como salsicha, linguiça, bacon, nuggets e hambúrgueres industrializados. O nutricionista Carlos Eduardo Haluch afirma que há evidências associando o consumo frequente desses produtos ao aumento do risco de câncer e doenças cardiovasculares. Isso ocorre principalmente pelo excesso de sódio e pela presença de conservantes como nitritos e nitratos, capazes de formar compostos potencialmente cancerígenos.
Refrigerantes e bebidas açucaradas também aparecem na lista por fornecerem muitas calorias e pouca saciedade. O excesso de açúcar favorece o acúmulo de gordura visceral, o aumento de triglicérides, a resistência à insulina e o risco de diabetes tipo 2 e esteatose hepática. Sucos em pó são criticados por simularem bebidas naturais, mas apresentarem excesso de açúcar, corantes e aromatizantes.
Outros produtos frequentemente evitados pelos nutricionistas incluem iogurtes saborizados, sopas instantâneas, macarrão instantâneo, temperos industrializados e salgadinhos de pacote. Esses alimentos costumam conter muito sódio, gordura de baixa qualidade, aditivos químicos e baixo valor nutricional. Em substituição, os especialistas recomendam priorizar alimentos naturais, frutas, legumes, temperos frescos, preparações caseiras e produtos com listas de ingredientes mais simples.
Também há atenção especial à qualidade e conservação dos alimentos. Vanderlí Marchiori alerta para o risco de consumir enlatados amassados ou estufados e carnes com coloração azulada ou esverdeada, sinais que podem indicar contaminação e proliferação de bactérias.
Ao final, os nutricionistas reforçam que alimentação saudável não significa perfeição, mas escolhas conscientes e equilibradas na maior parte do tempo.
Conteúdo resumido a partir de matéria publicada no Estadão. Leia a versão completa no site oficial.
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