Unhas de gel podem dar câncer? Dermatologistas recomendam uso de filtro solar nas mãos

A aplicação de unhas de gel se consolidou como um dos procedimentos estéticos mais populares do Brasil. A técnica, que atrai milhares de clientes diariamente, movimenta salões de beleza em todo o país e se tornou uma importante fonte de renda para profissionais do setor.

No entanto, à medida que sua popularização cresce, aumentam também as preocupações de especialistas. Médicos dermatologistas e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) têm monitorado de perto os possíveis riscos associados ao procedimento, especialmente no que diz respeito à saúde da pele.

Em 2025, a Anvisa proibiu o uso de duas substâncias frequentemente presentes em esmaltes e produtos utilizados na aplicação — o TPO e o DMPT — após evidências apontarem alto potencial cancerígeno. Além disso, outro ponto de atenção é a exposição recorrente às cabines de luz utilizadas para a secagem e fixação das unhas, que também pode trazer impactos.

Um vídeo publicado pela médica Caroline Prósperi, dermatologista formada pela UFMG e membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), reforça a necessidade do uso de filtro solar antes dos procedimentos. Embora o hábito de aplicar protetor já esteja consolidado entre os brasileiros em situações de exposição ao sol, é importante destacar que a cabine utilizada na aplicação das unhas de gel também emite radiação. A exposição frequente a essa luz pode ser prejudicial à pele das mãos ao longo do tempo, exigindo atenção e cuidados preventivos.’

“A recomendação do uso de protetor solar antes da exposição às cabines de unha em gel pode ser considerada para todas as pessoas porque esses aparelhos emitem radiação ultravioleta do tipo UVA, que está relacionada ao envelhecimento precoce da pele, ao aparecimento de manchas e ao dano cumulativo ao DNA das células da pele”, explica a especialista.

Glaysson Tassara, coordenador do Departamento de Cirurgia Micrográfica da Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialista em doenças das unhas, reforça a importância de abordar o tema, mesmo com a ausência de estudos que comprovem os riscos:

“É importante ressaltar que as evidências científicas sobre o surgimento de câncer com o uso dessas lâmpadas para o gel de unha ainda não são totalmente conclusivas. O fato da ciência ainda não ser conclusiva não quer dizer que elas não causem ou aumentem o câncer de pele nessa região. O tempo entre a exposição à luz ultravioleta (seja do sol ou artificial/lâmpadas) e o surgimento do câncer demora anos e, como o uso das lâmpadas em unha é recente, talvez demore algum tempo para que isso possa ser comprovado”, explica o médico.

Prevenir é melhor do que remediar

Segundo especialistas, as cabines emitem raios UVA, que são comprovadamente danosos à pele: “A principal preocupação relacionada ao uso frequente dessas cabines é a exposição repetida à radiação UVA, sabidamente associada ao fotoenvelhecimento cutâneo e às manchas solares, além de potencialmente contribuir para o risco de câncer de pele ao longo da vida. Contudo, ainda são necessários estudos clínicos de longo prazo para quantificar esse risco em usuários desses equipamentos”, confirma a Dra Caroline Prósperi.

Por isso, o uso do protetor solar é a melhor maneira de evitar danos a longo prazo. A médica também recomenda a maneira ideal de usá-lo:

“A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda aplicar 2 mg de protetor solar por centímetro quadrado de pele. Na prática, a principal recomendação é aplicar uma camada generosa e uniforme de protetor solar em todas as áreas da pele que não estejam cobertas por roupas, incluindo o dorso das mãos, braços, pescoço e o rosto, cerca de 20 minutos antes da exposição à cabine. Também é fundamental que o produto ofereça proteção contra UVA, já que as cabines utilizadas para secagem do gel emitem predominantemente esse tipo de radiação”, afirma.

Evitar o uso em crianças:

Apesar de não existir uma recomendação oficial de idade mínima para fazer o procedimento, a exposição a esses raios pode causar danos de maneira cumulativa. Diante disso, quanto mais tarde for a exposição a esses raios, menor o dano:

“Como os efeitos da radiação ultravioleta são cumulativos ao longo da vida, muitos dermatologistas defendem cautela em exposições frequentes desde a infância, principalmente quando o procedimento tem finalidade exclusivamente estética”, explica a dermatologista Caroline Prósperi.

Profissionais que trabalham diariamente com as cabines também devem redobrar os cuidados já que, diferente dos clientes, as nail desingers podem permanecer próximos a esses equipamentos durante muitos atendimentos por semana e anos: 

“Existe uma preocupação teórica com os profissionais porque a radiação UVA possui capacidade de se dispersar no ambiente e porque esses trabalhadores permanecem próximos aos equipamentos durante várias aplicações ao longo do dia. Além disso, a radiação UVA é conhecida por atravessar nuvens e vidro comum, o que demonstra seu potencial de alcançar superfícies mesmo sem incidência direta “, finaliza a dermatologista.

Fonte: O Tempo


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