Como as mudanças climáticas podem impactar pessoas em tratamento contra o câncer

As mudanças climáticas deixaram de ser apenas uma preocupação ambiental e passaram a representar um desafio também para a saúde. Para pessoas em tratamento contra o câncer, os efeitos de eventos extremos, como enchentes, ondas de calor, queimadas e frio intenso, podem comprometer desde o acesso aos serviços de saúde até a própria eficácia do tratamento. Especialistas alertam que pacientes oncológicos fazem parte de um dos grupos mais vulneráveis diante dessas mudanças.

A preocupação ganhou ainda mais destaque após experiências vividas durante grandes desastres climáticos. Estudos apresentados em um importante congresso internacional de oncologia mostraram que pacientes submetidos ao tratamento durante períodos de furacões apresentaram maior risco de mortalidade em comparação com aqueles tratados em condições normais. Além disso, pesquisadores ressaltam que a piora da qualidade do ar provocada por queimadas e pela poluição aumenta a exposição a substâncias cancerígenas, elevando também o risco de desenvolvimento da doença ao longo do tempo.

No Brasil, embora furacões sejam incomuns, enchentes e alagamentos têm causado impactos semelhantes. O principal problema é a interrupção do tratamento. O câncer é uma doença que depende do cumprimento rigoroso dos ciclos terapêuticos, especialmente da quimioterapia. Atrasos podem reduzir as chances de sucesso do tratamento. Além disso, pacientes imunossuprimidos precisam de acesso rápido aos hospitais em situações de emergência, como nos casos de neutropenia febril, uma complicação que exige atendimento imediato. Especialistas defendem que os serviços de saúde estejam preparados para manter o acompanhamento dos pacientes, utilizando, quando possível, consultas por telemedicina e registros eletrônicos que não sejam perdidos em desastres naturais.

Outro fator de preocupação é a contaminação da água após enchentes ou durante períodos de escassez hídrica. Pessoas em tratamento contra o câncer apresentam maior suscetibilidade a infecções, tornando essencial o consumo de água segura. Em situações específicas, como após um transplante de medula óssea, até os cuidados com a água utilizada para higiene podem precisar ser reforçados.

A qualidade do ar também merece atenção. A fumaça das queimadas e os altos índices de poluição podem agravar problemas respiratórios, principalmente em pacientes com câncer de pulmão ou que já apresentam comprometimento da função cardiorrespiratória. Nesses períodos, reduzir a exposição ao ar poluído, utilizar máscaras quando necessário e seguir as orientações da equipe médica tornam-se medidas importantes.

As ondas de calor representam outro desafio. Alguns medicamentos quimioterápicos dificultam a regulação da temperatura corporal, aumentando o risco de desidratação, mal-estar e alterações clínicas. A hidratação adequada, o monitoramento frequente da temperatura e a comunicação imediata com a equipe de saúde diante de febre, fraqueza intensa ou diarreia são cuidados fundamentais. Por outro lado, durante períodos de frio intenso, o risco de trombose pode aumentar, exigindo atenção especial, proteção contra baixas temperaturas e avaliação médica caso surjam sintomas como dor ou inchaço nas pernas.

Diante do avanço das mudanças climáticas, especialistas reforçam que pacientes oncológicos, familiares e serviços de saúde precisam incorporar esse novo cenário ao planejamento do cuidado. Preparação, prevenção e acesso contínuo ao tratamento são fatores essenciais para reduzir riscos e preservar a qualidade da assistência, mesmo diante de eventos climáticos extremos.

Conteúdo resumido a partir de matéria publicada no portal Viva Bem Uol. Leia a versão completa no site oficial.

Descubra mais sobre Blog do Projeto AMIGOS

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *