Senhor(a) Presidente,
Em 2026, milhões de brasileiros se preparam para escolher o próximo presidente da República nas eleições de outubro. Antes mesmo do início oficial da campanha e da propaganda eleitoral, há uma pauta que não pode ser tratada como tema secundário: a realidade dos pacientes oncológicos no Brasil.
Entre debates econômicos, reformas e propostas de governo, a saúde precisa ocupar um lugar central na construção do futuro do país. E, dentro dela, o câncer exige atenção permanente. A cada ano, centenas de milhares de brasileiros recebem um diagnóstico que transforma profundamente suas vidas e as de suas famílias. Para essas pessoas, mais do que uma política pública, o que está em jogo é o tempo: a possibilidade de obter um diagnóstico precoce, iniciar o tratamento sem demora e ter acesso às melhores alternativas terapêuticas disponíveis.
Nos últimos anos, a oncologia brasileira alcançou avanços expressivos. Centros de pesquisa, universidades, hospitais públicos e instituições privadas passaram a integrar estudos de relevância internacional, colocando o Brasil em evidência em áreas como imunoterapia, medicina personalizada e terapia celular. Pesquisas conduzidas no país vêm apresentando resultados promissores com tratamentos inovadores, entre eles a terapia CAR-T, considerada uma das mais importantes revoluções da oncologia moderna.
Esses avanços demonstram que o Brasil dispõe de profissionais altamente qualificados, centros de excelência reconhecidos internacionalmente e capacidade para ampliar ainda mais a qualidade da assistência oncológica. No entanto, ainda existe uma distância preocupante entre o que a ciência já torna possível e o que efetivamente chega aos pacientes.
Em muitas regiões do país, especialmente fora dos grandes centros urbanos, pacientes ainda enfrentam longas filas para consultas especializadas, exames de imagem, biópsias, cirurgias, sessões de quimioterapia e radioterapia. Não são raros os casos em que famílias precisam percorrer centenas de quilômetros em busca de atendimento. Enquanto o tempo passa, a espera pelo diagnóstico ou pelo início do tratamento pode comprometer oportunidades valiosas e influenciar diretamente as chances de sucesso terapêutico.
Os desafios:
- Ampliar e descentralizar a rede de atendimento oncológico, reduzindo as desigualdades entre capitais, regiões metropolitanas e o interior do país;
- Reduzir o tempo entre a suspeita clínica, a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento, assegurando atendimento oportuno em todas as etapas da jornada do paciente;
- Expandir o acesso a exames especializados, cirurgias oncológicas, radioterapia, quimioterapia e outras modalidades terapêuticas em todas as regiões do Brasil;
- Acelerar a incorporação e ampliar o acesso a medicamentos, tecnologias e terapias inovadoras com eficácia e segurança comprovadas;
- Investir na formação, valorização e fixação de profissionais especializados, fortalecendo equipes multidisciplinares e a assistência integral ao paciente;
- Fortalecer as políticas de prevenção, rastreamento, diagnóstico precoce e educação em saúde para reduzir a incidência e aumentar as chances de cura;
- Modernizar a gestão do sistema de saúde, simplificando processos burocráticos, aprimorando a regulação e reduzindo barreiras que atrasam o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e às novas tecnologias.
Os pacientes oncológicos brasileiros não precisam de promessas genéricas. Precisam de metas claras, cronogramas públicos e compromissos mensuráveis. Esperam saber quantos novos centros especializados serão implantados, quantos aceleradores lineares entrarão em funcionamento, de que forma o governo pretende reduzir o tempo de espera para consultas, exames, diagnóstico e início do tratamento e quais investimentos serão destinados à pesquisa, à inovação e à incorporação de novas tecnologias e terapias oncológicas. Mais do que discursos, esperam ações concretas, transparentes e passíveis de acompanhamento pela sociedade ao longo de todo o mandato.
Essas escolhas não produzirão apenas estatísticas ou relatórios de gestão. Elas deixarão um legado na vida de milhões de brasileiros. O próximo presidente não será lembrado apenas pelos indicadores econômicos ou pelas disputas políticas de seu mandato. Também será lembrado pelas decisões tomadas em favor daqueles que aguardam um diagnóstico, enfrentam uma fila de tratamento ou convivem diariamente com a incerteza causada pela doença.
O câncer não escolhe região, renda, partido político, religião ou ideologia. Ele ultrapassa fronteiras sociais e alcança famílias em todas as regiões do Brasil. Por isso, a oncologia não pode ocupar espaço apenas durante campanhas eleitorais ou nos meses dedicados à conscientização. Precisa ser tratada como uma prioridade permanente de Estado, sustentada por políticas públicas contínuas, planejamento de longo prazo e compromisso com a vida.
Que esta eleição represente uma oportunidade para colocar a oncologia entre as prioridades nacionais. Que os candidatos apresentem propostas consistentes, acompanhadas de metas claras, prazos definidos e compromissos mensuráveis para reduzir as desigualdades regionais, acelerar o diagnóstico, ampliar o acesso ao tratamento, fortalecer a prevenção, incentivar a pesquisa, incorporar novas tecnologias e garantir que a inovação chegue a quem mais precisa.
Porque, para quem enfrenta o câncer, cada exame realizado no momento certo, cada consulta antecipada e cada tratamento iniciado sem atraso representam muito mais do que indicadores de desempenho. Representam a oportunidade de preservar vidas, compartilhar novos momentos com a família e continuar escrevendo a própria história. É esse o compromisso que o próximo presidente deve assumir diante de milhões de brasileiros que não podem esperar.
Última atualização: 23/07/2026
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