Golpes virtuais também atingem pacientes com câncer e suas famílias

Uma ligação inesperada. Uma mensagem no WhatsApp pedindo um Pix urgente. Um perfil nas redes sociais oferecendo um medicamento “mais barato” ou solicitando ajuda financeira em nome de uma criança com câncer. Situações como essas fazem parte de uma realidade cada vez mais preocupante. O crescimento dos golpes virtuais no Brasil mostra que criminosos estão se tornando especialistas em explorar momentos de fragilidade emocional, e poucas situações tornam uma pessoa tão vulnerável quanto enfrentar um diagnóstico de câncer.

Dados divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que Pernambuco registrou um expressivo aumento nas ocorrências de estelionato eletrônico. Embora parte desse crescimento também esteja relacionada à mudança na forma de contabilização dos casos, o avanço das fraudes digitais reforça um alerta importante: é preciso redobrar os cuidados ao compartilhar informações e realizar pagamentos pela internet.

A doença não é o alvo, mas a vulnerabilidade

Os golpistas raramente conhecem a história da vítima. Eles exploram emoções como medo, urgência, esperança e solidariedade. Por isso, pacientes e familiares podem receber mensagens afirmando que um medicamento precisa ser comprado imediatamente, que um benefício será liberado após o pagamento de uma taxa ou que um profissional do hospital necessita de um depósito para agilizar um procedimento.

Especialistas em segurança digital explicam que esse tipo de fraude utiliza técnicas conhecidas como engenharia social: primeiro conquistam a confiança da vítima e, em seguida, criam uma situação que exige uma decisão rápida, reduzindo o tempo para reflexão.

Quando a solidariedade também é usada como armadilha

Nem apenas pacientes são vítimas. Infelizmente, criminosos também utilizam imagens de crianças e adultos com câncer para criar falsas campanhas de arrecadação. Recentemente, uma operação policial desarticulou uma organização criminosa que utilizava fotografias e vídeos reais de pacientes para arrecadar doações por meio de páginas falsas e anúncios nas redes sociais.

Também já foram identificados casos de vídeos manipulados por inteligência artificial para convencer pessoas a fazer doações inexistentes. Em poucos segundos, imagens emocionantes podem despertar compaixão, mas esconder uma fraude cuidadosamente planejada.

Como proteger sua família

Algumas atitudes simples reduzem significativamente o risco de cair em golpes:

  • Nunca faça pagamentos solicitados por telefone ou aplicativos de mensagens sem confirmar diretamente com o hospital ou instituição.
  • Desconfie de pedidos de Pix com urgência, principalmente quando acompanhados de ameaças ou pressão emocional.
  • Antes de contribuir com campanhas solidárias, confirme se a arrecadação é divulgada pelos canais oficiais da instituição ou da própria família.
  • Evite compartilhar documentos, exames, fotos de receitas e dados pessoais em conversas com desconhecidos.
  • Ative a verificação em duas etapas nos aplicativos de mensagens e nunca informe códigos recebidos por SMS.

Caso haja qualquer suspeita, interrompa a conversa imediatamente, entre em contato com o hospital pelos telefones oficiais, comunique o banco e registre um boletim de ocorrência o quanto antes. Quanto mais rápida for a reação, maiores podem ser as chances de reduzir os prejuízos.

Enfrentar o câncer já exige coragem suficiente. Nenhuma família deveria carregar também o peso de uma fraude. Informação, atenção e a confirmação de qualquer pedido financeiro pelos canais oficiais continuam sendo as melhores ferramentas para impedir que criminosos transformem um momento de esperança em mais uma oportunidade de golpe.

Fontes consultadas: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), CERT.br – Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil, Febraban e Governo Federal.


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