Aos 31 anos, Ana Paula Calderoni, de Campo Grande (MS), precisou aprender que ser mulher vai muito além daquilo que os olhos conseguem enxergar.
Ela venceu um câncer de mama agressivo. Para chegar até aqui, precisou enfrentar coisas que jamais imaginou viver tão jovem. Perdeu os cabelos. Passou pela fase de se olhar no espelho e não reconhecer a mulher que estava diante dela. Viu sua aparência mudar, seu corpo mudar e sua autoestima ser colocada à prova.
Também precisou perder a mama esquerda.
Não foi apenas uma parte do corpo que se foi. Foi preciso reconstruir dentro dela a maneira de enxergar a própria beleza. Houve dias de lágrimas, medo e insegurança. Mas, em todos eles, Deus esteve presente.
Quando suas forças acabavam, foi Ele quem a sustentou. Quando pensou que não conseguiria, foi Ele quem lhe deu forças para continuar. A fé se tornou seu abrigo nos dias em que tudo parecia difícil demais.
Continuar sendo mulher depois das mudanças
Ficar careca foi uma das transformações vividas durante o tratamento. O cabelo fazia parte da imagem que Ana Paula conhecia de si mesma, e vê-lo desaparecer mudou a maneira como ela se enxergava.
Mesmo assim, continuou cuidando de si. Sempre foi vaidosa e continuou sendo. Fez as unhas, cuidou da aparência e procurou se olhar e se sentir bonita. Até careca, continuou se cuidando.
Depois veio a perda da mama esquerda.
Ana Paula é mãe de dois filhos, de 6 e 10 anos. Hoje, porém, a mama que perdeu já não significa para ela o que significava antes.
Ela tem saúde, tem vida, tem família.
É isso que importa.
Continua sendo mulher. Continua gostando de se cuidar, de fazer as unhas, de cuidar do cabelo e de se olhar no espelho e se sentir bonita.
Porque sua feminilidade nunca esteve em uma mama, nos cabelos ou em qualquer padrão de beleza.
Ela sempre esteve nela.

A cicatriz que passou a contar a sua história
A cicatriz ficou e vai permanecer com Ana Paula pelo resto da vida.
Ela poderia colocar uma prótese, poderia. Mas essa marca continuará ali. E, toda vez que olhar para ela, vai se lembrar de onde saiu e de tudo o que enfrentou.
Hoje, quando olha para o próprio corpo, não vê apenas aquilo que perdeu.
Vê tudo aquilo que sobreviveu.
O que ficou em seu corpo também passou a representar a superação de uma fase que mudou sua vida. A cicatriz carrega uma história, e essa história também faz parte de quem ela é hoje.
17 de setembro de 2026
No dia 17 de setembro de 2026, Ana Paula retirou o seu Port-a-Cath.
Aquele pequeno dispositivo que esteve com ela durante o tratamento finalmente saiu do seu corpo. Para muitos, pode parecer apenas um procedimento. Para ela, foi um marco.
Foi como fechar um capítulo de uma história que nunca escolheu viver, mas que enfrentou com todas as suas forças.
Naquele momento, seu coração só conseguia dizer: obrigada, Deus.
Obrigada porque foi o Senhor quem lhe deu a vida. Foi o Senhor quem a sustentou quando não tinha mais forças. Foi o Senhor quem lhe permitiu chegar até ali.
A fé foi seu abrigo nos dias em que tudo parecia difícil demais.

O que ela enxerga hoje
A carequinha ficou para trás. Os cabelos voltaram. As marcas permanecem, mas agora carregam uma história.
O câncer mudou seu corpo, mas não conseguiu tirar sua fé, sua esperança, sua essência e sua vontade de viver.
Hoje, ela não vê apenas o que perdeu. Vê tudo aquilo que sobreviveu.
Venceu o medo, os dias difíceis, as lágrimas, a perda dos cabelos, a perda da mama, o tratamento e cada batalha que parecia grande demais.
Sua história não é sobre o que o câncer tirou dela. É sobre tudo o que Deus lhe permitiu superar.
Aos 31 anos, sem uma mama, depois de perder os cabelos e carregar tantas marcas, ela continua aqui.
Viva. Forte. Cheia de fé.
“Eu sobrevivi. Eu me reencontrei. E hoje tenho orgulho da mulher que nasceu depois de tudo isso.”
“Eu venci. Pela graça de Deus, eu venci.”
Créditos: testemunho e fotografias de Ana Paula Calderoni, cedidos ao Projeto AMIGOS com autorização para publicação. O relato foi editado para organização e publicação.
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