Outubro Rosa começa aqui, mas a atenção ao câncer de mama não termina na campanha

Quando uma alteração aparece no espelho ou é percebida durante o banho, a primeira reação nem sempre é marcar uma consulta. É nesse intervalo da rotina que a informação pode fazer diferença.

Outubro coloca o câncer de mama no centro das campanhas de saúde, mas a doença continua presente antes e depois das faixas cor-de-rosa. O INCA estima 78.610 novos casos por ano no Brasil no triênio 2026–2028. Em 2024, 20.849 pessoas morreram pela doença.

Quando uma mudança merece ser investigada

Um nódulo endurecido, fixo ou que cresce é um dos sinais que merecem atenção. Também estão nessa lista a saída espontânea de líquido por um dos mamilos, a retração da pele ou do mamilo, o aumento progressivo da mama e a pele com aspecto de casca de laranja. O INCA reúne esses sinais e sintomas e ressalta que uma alteração, sozinha, não significa diagnóstico de câncer.

Conhecer as próprias mamas no dia a dia ajuda a perceber mudanças. Não é necessário seguir uma técnica rígida de autoexame. O importante é não deixar uma alteração persistente passar despercebida.

Mamografia e investigação não são a mesma coisa

A mamografia de rastreamento é dirigida a mulheres sem sinais ou sintomas suspeitos. No Brasil, a recomendação atual para o rastreamento no SUS é o exame a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Para mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74, sem sinais suspeitos, há acesso por demanda, após conversa com um profissional de saúde sobre benefícios e riscos. Ministério da Saúde e INCA explicam a atualização.

Quem percebe uma alteração suspeita está em outra situação e precisa de avaliação adequada. Não é preciso esperar o próximo Outubro Rosa para procurar atendimento.

Prevenção também acontece fora dos consultórios

Nem todo risco pode ser evitado. A idade e parte da história familiar não estão sob controle. Há, porém, fatores ligados aos hábitos cotidianos. Segundo o INCA, cerca de 17% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com medidas como praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, evitar bebidas alcoólicas e amamentar.

Isso não significa que hábitos saudáveis impeçam todos os casos. O câncer de mama resulta da combinação de diferentes fatores ao longo da vida.

Depois de outubro, a rotina continua

Uma consulta ainda pode estar marcada. Um exame pode estar sendo aguardado. Um resultado pode mudar os planos de uma família.

Para quem percebe uma alteração, outubro pode ser o mês em que decide procurar atendimento. Para quem está no rastreamento, pode ser uma boa hora para conferir se o acompanhamento está em dia. Para quem já recebeu um diagnóstico, o tratamento continua.

O calendário muda. A atenção ao câncer de mama, não.


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