Pessoa adulta em exercício leve com acompanhamento profissional

Exercício físico pode ajudar pessoas com câncer a preservar a força e a autonomia

Durante o tratamento do câncer, a ideia de fazer exercício pode parecer distante da realidade de quem enfrenta fadiga, dor e mudanças na rotina. Ainda assim, a atividade física adaptada às condições do paciente tem espaço nas recomendações clínicas. Além dos benefícios para a capacidade física e a qualidade de vida, pesquisas recentes investigam sua relação com a sobrevida.

O movimento tem lugar no tratamento

Para adultos, recomendações elaboradas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e pela Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (SBAFS) indicam que a atividade física durante e após o tratamento é, em geral, segura e tolerável, com baixo risco de eventos adversos. Entre os benefícios descritos estão a redução da fadiga e a melhora da qualidade de vida. As orientações estão reunidas nas recomendações brasileiras para pessoas com câncer.

Em setembro de 2026, uma revisão sistemática e metanálise publicada no British Journal of Sports Medicine ampliou essa discussão. Os pesquisadores reuniram 21 ensaios clínicos randomizados, com 8.449 adultos com câncer. Nos 11 ensaios que avaliaram a sobrevida global, envolvendo 3.828 participantes, os programas estruturados de exercício foram associados a um hazard ratio de 0,77 (intervalo de confiança de 95%: 0,65–0,92). O resultado corresponde a uma redução relativa estimada de 23% no risco instantâneo de morte durante o acompanhamento, não a uma queda de 23 pontos percentuais na mortalidade nem a uma garantia de benefício individual.

A evidência foi classificada como moderada. Também há uma limitação importante: 75,3% dos participantes tinham câncer de mama, e os dados sobre outros tumores e casos avançados são mais restritos. Portanto, os resultados não devem ser generalizados para todos os pacientes. O estudo completo apresenta os resultados e as limitações da análise.

Nem todo movimento acontece na academia

Caminhadas, exercícios aeróbicos, atividades de força e reabilitação são algumas das possibilidades, conforme a condição clínica. O posicionamento do INCA sobre atividade física reforça sua importância na prevenção e no controle do câncer. Durante o tratamento, porém, não se trata de cumprir metas a qualquer custo. Sintomas, complicações e limitações podem exigir mudanças na rotina, com orientação profissional.

Crianças e adolescentes exigem orientação própria

As recomendações brasileiras citadas são destinadas a pessoas com 18 anos ou mais. Para crianças e adolescentes, é necessário considerar as particularidades do desenvolvimento e do tratamento.

Um consenso do American College of Sports Medicine, publicado em 2026, concluiu que o exercício pode, em geral, ser realizado com segurança por pacientes pediátricos com câncer. Os pesquisadores encontraram evidência moderada de benefícios dos exercícios aeróbicos e de força combinados para a força muscular e a função física. Para outros resultados, ainda faltam evidências suficientes. O consenso científico está disponível no PubMed.

A atividade deve ser discutida com a equipe de oncologia e adaptada à idade, ao tratamento e às condições de cada paciente. Não é adequado aplicar automaticamente às crianças e aos adolescentes recomendações destinadas a adultos.

A questão, portanto, não é cobrar que o paciente alcance uma meta de exercício, mas avaliar com a equipe o que é possível e seguro em cada fase do tratamento. Quando os sintomas mudam, a orientação também pode mudar. É esse acompanhamento individualizado que permite considerar a atividade física como parte do cuidado, sem transformá-la em mais uma exigência para quem já enfrenta uma rotina difícil.


Imagem ilustrativa: criada com o auxílio de inteligência artificial para representar o tema deste conteúdo, preservando a identidade e a privacidade de pacientes e familiares.


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