Tratamento da insônia merece atenção durante a quimioterapia para câncer de mama

A dificuldade para dormir pode se somar aos efeitos da quimioterapia em mulheres com câncer de mama. Um ensaio clínico com 219 participantes, publicado em agosto de 2026 no JAMA Network Open, avaliou a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) e encontrou uma redução maior dos sintomas entre as mulheres que receberam a intervenção. A diferença foi estatisticamente significativa, mas ficou abaixo do nível de relevância clínica estabelecido pelos pesquisadores.

Como o estudo foi conduzido

Realizado em cinco hospitais australianos, o ensaio incluiu mulheres com câncer de mama inicial ou metastático. Durante seis semanas, os pesquisadores compararam quatro grupos: TCC-I; terapia com luz intensa; combinação das duas; e orientações sobre higiene do sono. Todas as participantes receberam essas orientações; os grupos diferiam pelas intervenções adicionais.

As mulheres que receberam terapia cognitivo-comportamental para insônia apresentaram uma redução maior dos sintomas do que aquelas que não receberam essa intervenção. A diferença média foi de 2,19 pontos em uma escala que mede a gravidade da insônia. Embora o resultado tenha sido estatisticamente significativo, o benefício ficou abaixo do nível que os pesquisadores consideraram clinicamente relevante.

Para a fadiga, não houve diferença significativa entre os grupos com e sem TCC-I. Na análise geral, a terapia com luz intensa também não apresentou benefício significativo para insônia ou fadiga.

A terapia cognitivo-comportamental para insônia trabalha pensamentos e comportamentos que dificultam o sono, indo além de orientações gerais sobre hábitos de descanso. Ainda não está claro por quanto tempo os benefícios persistem. Nas avaliações posteriores, os sintomas voltaram a aumentar mais entre as participantes que receberam essa terapia do que entre as demais. Como houve perda de participantes durante o acompanhamento, os resultados não permitem determinar com segurança quanto tempo dura o benefício.

O estudo avaliou os sintomas de insônia e fadiga, não a evolução do câncer. Por isso, seus resultados não permitem afirmar que melhorar o sono aumente a eficácia da quimioterapia ou reduza o risco de a doença voltar.

O sono durante o tratamento

Dor, efeitos dos medicamentos, desconforto e preocupação com a doença podem dificultar o descanso. Uma revisão brasileira publicada em 2012 na revista Estudos de Psicologia analisou fatores associados à insônia em mulheres com câncer de mama e discutiu possibilidades de tratamento, entre elas a terapia cognitivo-comportamental.

Quando a dificuldade para adormecer, os despertares ou a sensação de sono não reparador se tornam frequentes, vale informar à equipe de saúde. Relatar quando o problema começou e como afeta o dia a dia pode ajudar na avaliação. Medicamentos e suplementos para dormir não devem ser iniciados por conta própria durante o tratamento oncológico.

As orientações do Instituto Nacional de Câncer (INCA) sobre o tratamento do câncer de mama destacam a necessidade de individualizar a conduta conforme as características da doença e as condições da paciente. A qualidade de vida também merece atenção ao longo do tratamento.

Durante a quimioterapia, a insônia não deve ser tratada como um desconforto que a paciente simplesmente precisa suportar. Relatar o problema à equipe de saúde permite avaliar suas causas e discutir opções de cuidado. As evidências apontam para a possibilidade de aliviar os sintomas, mas ainda não demonstram que tratar a insônia altere a evolução do câncer.


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