Ao lado, não no lugar: por que o Projeto AMIGOS não substitui a assistência médica

Nas visitas do Projeto AMIGOS ao Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (NACC), uma casa de apoio no Recife, os voluntários encontram famílias em meio a uma rotina marcada pelo tratamento de crianças e adolescentes. Consultas, deslocamentos e espera ocupam boa parte do dia, às vezes longe de casa. É nesse contexto que o projeto procura estar presente, oferecendo convivência, apoio e oração.

O valor do voluntariado

Desde 2018, o Projeto AMIGOS apoia crianças e adolescentes com câncer e seus familiares. Cada visita exige organização: os voluntários preparam o lanche e reúnem as doações. Durante o encontro, entregam brinquedos, Bíblias e kits de higiene, escutam as famílias e oram por elas. Em ações especiais, também há brincadeiras e momentos em que as crianças escolhem os brinquedos que desejam levar.

A conversa nem sempre precisa girar em torno do câncer. Pode passar pela rotina, pelas crianças, pela saudade de casa ou por assuntos que cada família queira compartilhar. Para quem passa períodos longe de casa, a visita também oferece uma oportunidade de convivência fora da rotina de consultas e deslocamentos. O apoio não está apenas nos itens entregues, mas também no tempo dedicado às pessoas e na atenção ao que elas vivem.

O AMIGOS não realiza consultas, exames ou procedimentos, não acompanha clinicamente os pacientes nem indica tratamentos. Quando surgem dúvidas sobre sintomas, medicamentos ou decisões terapêuticas, a família precisa conversar com os profissionais responsáveis pelo atendimento. O papel dos voluntários é outro: participar da vida dessas famílias por meio das ações solidárias, sem assumir decisões clínicas.

A oração faz parte da identidade cristã do Projeto AMIGOS. Nas visitas, os voluntários oram pelas crianças e por seus familiares, pedindo a Deus força, proteção e saúde durante essa caminhada. A oração expressa a fé que orienta o projeto, mas não é uma promessa de cura nem substitui o tratamento médico. O acolhimento também respeita as crenças e decisões de cada família, sem pressionar ninguém a compartilhar a mesma fé.

O tratamento segue com os serviços de saúde

O tratamento do câncer é conduzido por equipes de saúde em serviços especializados e habilitados, conforme as necessidades de cada paciente, como explica o Ministério da Saúde. O diagnóstico, as decisões terapêuticas e o acompanhamento clínico fazem parte desse atendimento, que exige profissionais qualificados e estrutura adequada.

Quando uma família enfrenta demora para conseguir uma consulta ou dificuldade para dar continuidade ao atendimento, precisa de respostas da rede de saúde. A Lei nº 8.080/1990 estabelece as bases do SUS e reconhece a saúde como direito fundamental. Garantir o acesso e a continuidade da assistência é responsabilidade do poder público, não de grupos voluntários.

Quando a visita termina, a família retoma os cuidados diários e acompanha as próximas etapas do tratamento. O Projeto AMIGOS não pode retirar esse peso, mas pode estar presente durante essa fase, oferecendo acolhimento e oração. É nesse encontro entre a realidade de quem enfrenta o câncer e a disposição de servir que o voluntariado encontra seu sentido.


Foto: Registro da visita do Projeto AMIGOS ao NACC no Dia das Mães de 2026.


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