Quando Fatma Saba Yıldırım voltou à escola em Kozan, na Turquia, em fevereiro de 2026, encontrou alunos, colegas e familiares esperando por ela no pátio. Houve aplausos e balões; depois, a professora entrou na sala do segundo ano para retomar as aulas. Com 27 anos de carreira, ela havia passado cerca de 18 meses em tratamento contra o câncer e ficou afastada durante parte do ano letivo. Nos momentos mais difíceis, as mensagens dos estudantes — “Professora, estamos esperando você” — lhe deram forças para continuar. A reportagem sobre sua volta à escola registra que o que mais a entristeceu ao receber o diagnóstico foi pensar que ficaria longe dos alunos.
Uma faixa que acompanhou o tratamento
Nos Estados Unidos, Erika Carter descobriu uma leucemia promielocítica aguda em setembro de 2015, depois de exames de rotina. Nos nove meses seguintes, passou por 128 tratamentos de quimioterapia e ficou internada por 19 dias. Uma das maiores dificuldades, contou, era não poder sair: da janela, via pessoas indo aos jogos universitários, algo de que gostava.
Em agosto de 2016, depois de quase um ano afastada, Erika voltou a lecionar na escola primária de Southside, no Kentucky. Durante a internação, manteve no quarto uma faixa assinada por toda a escola com a mensagem “We love Ms. Carter” — “Nós amamos a professora Carter”. Os estudantes também fizeram questão de recebê-la de volta. Sua experiência foi registrada pela UK HealthCare, ligada à Universidade de Kentucky.
A música que marcou o reencontro
Jill Bass, professora do terceiro ano na Flórida, voltou à Rowlett Academy depois de semanas de tratamento contra o câncer de mama. Na chegada, encontrou um arco de balões cor-de-rosa e uma multidão formada por alunos, funcionários, familiares e amigos. Todos cantaram “Fight Song”, de Rachel Platten, música que ela costumava ouvir durante as sessões de quimioterapia para atravessar os dias difíceis.
Jill se emocionou com a surpresa. Naquele momento, porém, o tratamento ainda não havia terminado: ela continuava recebendo quimioterapia semanal. O retorno representava a retomada do trabalho, não o fim dos cuidados médicos. A cena foi registrada pela Inside Edition em novembro de 2016.
A volta depois de um ano e meio
No Brasil, Aline Soares, professora de Psicologia da UniRitter, recebeu o diagnóstico de câncer de mama em 19 de setembro de 2023, no dia do aniversário e de uma festa surpresa organizada pelos alunos. Ela continuou lecionando até o fim daquele semestre. Depois, passou por quimioterapia, radioterapia e cirurgia e ficou afastada por um ano e meio.
Aline voltou às salas de aula em setembro de 2025. Quando a CNN Brasil contou sua história, em outubro daquele ano, ela ainda estava em tratamento. Descreveu o retorno como um período de readaptação e afirmou que ensinar a fortalece como pessoa e profissional.
O significado de voltar
As quatro professoras tiveram experiências diferentes. Fatma e Erika retornaram após o tratamento; Jill e Aline voltaram enquanto ainda recebiam cuidados médicos. Essa diferença importa: superar uma etapa da doença não significa que tudo voltou ao normal, e cada pessoa precisa respeitar seus limites.
Em comum, elas encontraram alunos que não esqueceram sua ausência. Houve mensagens durante o afastamento, uma faixa levada ao hospital, uma música escolhida por seu significado pessoal e uma recepção preparada no pátio da escola.
Neste 15 de outubro, a homenagem é para os professores que enfrentaram o câncer e retomaram seu lugar na sala de aula, cada um a seu tempo. O retorno de Fatma resume uma parte importante dessas histórias: durante meses, seus alunos repetiram que a esperavam. Quando ela finalmente chegou, eles estavam lá.
Sua história também merece ser contada
Você é professor ou professora e está enfrentando, ou já enfrentou, o câncer? Como foi voltar à sala de aula e reencontrar seus alunos? Seu depoimento pode acolher e fortalecer outras pessoas que vivem uma experiência semelhante. E você, aluno ou ex-aluno, tem uma homenagem para fazer àquele professor ou professora que marcou sua vida, especialmente em um momento difícil?
Deixe seu relato nos comentários. Compartilhe sua experiência, recorde um gesto especial ou registre sua homenagem. Sua história pode tornar esta celebração ainda mais humana e mostrar o valor dos vínculos que permanecem, mesmo nos períodos mais difíceis. Cada relato é bem-vindo, respeitando o tempo, os sentimentos e a privacidade de quem deseja compartilhar sua história.
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