Geovania reencontra Noemi cinco anos após doar medula e incentiva novos doadores

Em 19 de outubro de 2026, Geovania Oliveira deixou Pindoretama (CE) rumo a Curitiba para acompanhar Noemi Lima Oliveira, de oito anos, no momento em que a menina tocaria o sino. Cinco anos antes, Geovania havia doado medula óssea sem saber quem receberia a doação. A viagem só foi possível porque amigos fizeram uma vaquinha, atendendo ao desejo do pai de Noemi de tê-la presente.

A família de Noemi mora em Feira de Santana (BA) e não tinha condições de custear a viagem. O pai desejava que Geovania estivesse presente, e um amigo dela ajudou com os custos. A ida a Curitiba foi organizada por Carol, amiga e enfermeira, que também a acompanhou.

Um encontro marcado pela emoção

Geovania e Noemi conversam pela internet todos os dias, e trocar mensagens de bom dia virou hábito. Em Curitiba, encontraram-se pessoalmente pela terceira vez. Na chegada, faltaram palavras: vieram as lágrimas e um abraço coletivo entre Geovania, Noemi e a família.

A cena que mais marcou a doadora foi ver Noemi tocar o sino. Geovania chorou e sentiu que a missão estava cumprida. “Foi uma missão que Deus me deu e eu faria tudo novamente”, contou. Outra lembrança ficará com ela: Noemi segurou sua mão e disse que Geovania era uma inspiração em sua vida.

Uma decisão em um período difícil

A história começou em 2021, quando o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) entrou em contato com Geovania. Os exames confirmaram compatibilidade genética total (100%) com Noemi. Em 21 de outubro daquele ano, Geovania viajou de Fortaleza a Natal para realizar a doação no Hospital Rio Grande. Mais tarde, soube que a medula havia sido destinada a uma criança. Com autorização das duas famílias, elas começaram a conversar pela internet; hoje, trocar mensagens de bom dia faz parte da rotina.

Ao recordar a trajetória, Geovania lembrou do pai, que morreu de câncer de estômago, e da depressão que enfrentava durante a pandemia, quando recebeu o contato do REDOME. Para ela, conhecer Noemi deu outro significado àquele período. “Noemi veio para me salvar, veio me mostrar que a vida da gente tem valor”, disse, descrevendo o impacto pessoal dessa relação.

Para Geovania, a doação oferece esperança ao paciente e a toda a família. Ao ver Noemi tocar o sino, pensou nas crianças que ainda aguardam uma oportunidade semelhante. “Eu queria ver vários Noemi tocar sino”, afirmou.

Geovania quer que sua história ajude outras pessoas a superar o receio de se cadastrar. “Não deixe que o medo seja maior do que a oportunidade de salvar uma vida”, aconselha. Ela recomenda buscar informações antes de decidir. O cadastro não significa doação imediata: é preciso haver compatibilidade com um paciente e passar por avaliações posteriores.

Segundo o REDOME, podem se cadastrar pessoas de 18 a 35 anos, em boas condições gerais de saúde. O pré-cadastro pode começar pelo site ou aplicativo, mas é preciso ir a um hemocentro com documento oficial com foto, assinar o termo de consentimento e fornecer amostra de sangue para análise genética. Manter os dados atualizados é essencial, pois a compatibilidade pode surgir anos depois. Confira as orientações no site oficial do REDOME.

Geovania fez a doação sem conhecer a pessoa que receberia as células. O reencontro tornou essa decisão uma experiência concreta, feita de conversa, lágrimas e abraço. Agora, ela espera que mais pessoas considerem o cadastro, para que outros pacientes encontrem doadores compatíveis e suas famílias tenham novas razões para ter esperança.


Relato compartilhado com o Projeto AMIGOS por Geovania Oliveira. Imagens gentilmente cedidas para esta publicação.


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