Em 20 de outubro, o Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para iniciar o rastreamento do câncer de intestino no Sistema Único de Saúde (SUS). A implantação está prevista para começar em novembro, de forma gradual, nas Unidades Básicas de Saúde de capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes. A oferta avançará por etapas, portanto o exame não estará disponível imediatamente em todas as cidades.
A iniciativa pretende ampliar a identificação da doença antes do aparecimento de sintomas. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a inclusão do FIT pode ampliar o acesso à prevenção e à detecção precoce para mais de 40 milhões de brasileiros. A medida responde a um problema expressivo: o país deve registrar 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no triênio 2026–2028, sendo 26.270 entre homens e 27.540 entre mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse é o terceiro tipo de câncer mais frequente no Brasil, de acordo com a estimativa nacional do INCA.
Como funciona o teste de rastreamento
O FIT procura pequenas quantidades de sangue nas fezes, que podem não ser percebidas a olho nu. O exame é destinado a homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas, com repetição prevista a cada dois anos. A coleta é feita com um kit específico, e a amostra é analisada em laboratório.
O teste não confirma câncer. Um resultado positivo indica a presença de sangue e a necessidade de investigação complementar, mas o sangramento também pode ter outras causas. Já um resultado negativo não deve ser entendido como garantia de que não existe doença, principalmente quando há sintomas persistentes ou fatores de risco que exigem avaliação individualizada.
Quando a colonoscopia é necessária
Após um resultado positivo no FIT, a colonoscopia é utilizada para investigar a origem do sangramento. O exame permite visualizar o interior do cólon e do reto e, durante o procedimento, retirar pólipos ou coletar amostras de tecido para análise.
Alguns pólipos podem evoluir para câncer. Identificar essas lesões e removê-las, quando indicado, pode impedir que determinados tumores se desenvolvam. Por isso, a nova estratégia não depende apenas da realização do teste inicial: quem recebe resultado positivo precisa conseguir fazer a colonoscopia indicada e dar continuidade à investigação.
Sintomas precisam ser investigados
O rastreamento foi planejado para pessoas sem sintomas. Sangue nas fezes, mudança persistente do hábito intestinal, dor abdominal, anemia, perda de peso sem explicação e presença de uma massa abdominal estão entre os sinais que merecem avaliação médica. Segundo o INCA, esses sintomas devem ser investigados, sobretudo quando não melhoram em alguns dias.
Essas manifestações podem ter causas benignas, mas não devem ser atribuídas automaticamente a hemorroidas ou a outros problemas sem avaliação profissional. Quem apresenta sintomas não deve esperar a chegada do FIT à sua cidade nem completar 50 anos para procurar atendimento. A investigação de uma suspeita é diferente do rastreamento oferecido a pessoas que não apresentam sinais da doença.
Prevenção e acesso ao atendimento
Além da idade, o histórico familiar de câncer colorretal e algumas doenças intestinais podem exigir avaliação individualizada, inclusive antes da faixa etária prevista para o rastreamento geral. Sedentarismo, excesso de peso, tabagismo, consumo de álcool e alimentação rica em carnes processadas também estão associados ao risco. Atividade física, alimentação saudável e evitar o tabaco e o álcool podem contribuir para a prevenção, embora não eliminem a possibilidade de desenvolver a doença.
A distribuição dos testes marca o início de uma nova estratégia, mas não encerra o desafio. O resultado positivo precisa levar à colonoscopia quando indicada e, caso a doença seja identificada, ao tratamento adequado. É nessa continuidade que o rastreamento poderá fazer diferença para a população atendida pelo SUS.
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