Um estudo recente com mais de 100 mil participantes da coorte francesa NutriNet-Santé apontou associações significativas entre o consumo de diversos conservantes alimentares e o desenvolvimento geral de câncer. A pesquisa reforça evidências anteriores sobre os potenciais efeitos adversos dos alimentos ultraprocessados na saúde. A principal autora, Touvier, e sua equipe já haviam demonstrado que esses produtos estão ligados ao aumento do risco de câncer, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, e nos últimos cinco anos passaram a investigar especificamente os ingredientes responsáveis por esses impactos.
Os conservantes, utilizados para evitar a deterioração por microrganismos e oxidação, estavam presentes em mais de 20% dos itens do banco Open Food Facts World em 2024. Nitratos são comuns em carnes processadas; sulfitos aparecem sobretudo em bebidas alcoólicas, molhos e vinagre; e esses aditivos também são frequentes em refeições prontas, doces industrializados e sobremesas lácteas. Estudos experimentais já indicavam possíveis mecanismos de risco, como resistência à insulina, proliferação celular, inflamação e estresse oxidativo — processos ligados à etiologia do câncer e do diabetes.
A análise incluiu 105.260 adultos, majoritariamente mulheres, sem câncer prévio, com registros alimentares detalhados. Ao longo de acompanhamento mediano de 7,57 anos, 4% desenvolveram câncer, principalmente de mama, próstata e colorretal. Dos 58 conservantes avaliados, 17 foram consumidos por ao menos 10% dos participantes. Entre os mais frequentes estavam ácido cítrico, lecitinas, sulfitos totais, ácido ascórbico, nitrito de sódio e sorbato de potássio.
O risco geral de câncer foi maior entre os que consumiram maiores quantidades de não antioxidantes totais, sorbatos totais, metabissulfito de potássio, nitrato de potássio, acetatos totais, ácido acético e eritorbato de sódio. Alguns desses também se associaram ao aumento do risco de câncer de mama, enquanto a ingestão elevada de nitrato de sódio esteve ligada ao câncer de próstata. No entanto, 11 dos 17 conservantes analisados não apresentaram associação significativa.
Embora observacional, o estudo considerou diversos fatores de confusão, como álcool, tabaco, atividade física e dieta. Os pesquisadores continuam investigando outros desfechos, interações entre aditivos e biomarcadores inflamatórios, metabólicos e da microbiota, buscando ampliar a proteção ao consumidor.
- Conteúdo resumido a partir de matéria publicada no Estado de Minas. Leia a versão completa no site oficial.
- Imagem: Freepik
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