A moradora de Presidente Prudente (SP) Amanda Messias Oliveira Gutierrez, de 32 anos, enfrenta há dois anos uma batalha contra um câncer raro de pulmão com alteração genética do tipo ALK+. Diagnosticada em junho de 2024, ela segue em tratamento e luta na Justiça para conseguir acesso ao medicamento Alecensa (alectinibe), indicado por seu médico no Hospital do Amor, em Barretos (SP). O remédio custa cerca de R$ 29 mil por caixa, suficiente para apenas 28 dias de uso.
O câncer de pulmão com mutação ALK+ é considerado raro, representando entre 1% e 3% dos casos da doença. Ele costuma atingir pacientes mais jovens e sem histórico de tabagismo, como Amanda. Segundo ela, a maior dificuldade é o custo do tratamento e a urgência em manter o uso contínuo do medicamento. A família tem organizado rifas, sorteios e campanhas nas redes sociais para arrecadar dinheiro e garantir a continuidade da medicação.
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Amanda relata que não pode interromper o tratamento, pois o medicamento deve ser tomado diariamente e por tempo indeterminado. Exames realizados em julho, outubro e janeiro indicaram que o tratamento tem sido eficaz, mostrando que a doença vem entrando em remissão e permanecendo controlada no organismo.
Apesar da recomendação médica, a Justiça negou o pedido para que o Estado forneça o medicamento. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida em agosto de 2025, considerou que existe alternativa terapêutica disponível no SUS: o crizotinibe. O parecer técnico do NAT-Jus apontou que essa opção ainda não havia sido esgotada.
No entanto, especialistas destacam diferenças importantes entre os medicamentos. Segundo o oncologista Fernando Senra, o crizotinibe é um remédio mais antigo, enquanto o alectinibe é de segunda geração e apresenta maior eficácia clínica. Estudos internacionais indicam que pacientes tratados com alectinibe permanecem mais tempo com a doença controlada, têm menor risco de progressão para o cérebro e apresentam melhor qualidade de vida.
Outro ponto levantado é que, embora o crizotinibe tenha sido incorporado ao SUS em 2022, não houve estrutura adequada para garantir seu fornecimento contínuo. Muitos pacientes acabam sem acesso ao tratamento. Além disso, o medicamento foi posteriormente retirado do SUS em outubro de 2025, dois meses após a decisão judicial que o indicou como alternativa para Amanda.
O advogado da paciente afirma que ela sequer passou por perícia médica no processo. Ele também destaca que estudos apresentados mostram que o crizotinibe pode ser menos eficaz que o alectinibe.
Atualmente, Amanda recorre da decisão por meio de um recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), protocolado em fevereiro. Outra opção terapêutica citada por especialistas é o brigatinibe, incorporado ao SUS em maio de 2025, mas ainda sem confirmação de oferta efetiva aos pacientes.
Enquanto aguarda uma nova decisão judicial e possíveis alternativas de tratamento, Amanda segue contando com a ajuda da comunidade para continuar o tratamento e manter a doença sob controle.
Conteúdo resumido a partir de matéria publicada no portal do g1. Leia a versão completa no site oficial.
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