O câncer de endométrio, que se desenvolve no tecido que reveste internamente o útero, está entre os tumores ginecológicos mais comuns entre as mulheres brasileiras. A doença ocorre quando células do endométrio passam a se multiplicar de forma desordenada, formando um tumor. Embora possa surgir em diferentes idades, sua ocorrência é mais frequente após a menopausa.
De acordo com o oncologista Ângelo Bezerra, especialista em câncer de mama e ginecológico, a identificação precoce da doença é fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir a necessidade de tratamentos mais agressivos. Isso porque o câncer de endométrio costuma apresentar sinais ainda em fases iniciais, criando uma importante oportunidade para diagnóstico e tratamento com intenção curativa.
O desenvolvimento da doença está relacionado principalmente à exposição prolongada ao hormônio estrogênio sem o equilíbrio adequado da progesterona. Entre os fatores de risco estão obesidade, sedentarismo, diabetes, hipertensão arterial, menstruação precoce, menopausa tardia, ausência de gestações e uso de estrogênio isolado sem progesterona. Mulheres com síndrome de Lynch, condição genética hereditária associada a diferentes tipos de câncer, também apresentam risco aumentado.
O principal sintoma é o sangramento vaginal anormal. Nas mulheres que já passaram pela menopausa, qualquer episódio de sangramento deve ser investigado por um ginecologista, mesmo que seja pequeno ou isolado. Em mulheres em idade reprodutiva, sinais como sangramentos intensos, fora do período menstrual, ciclos persistentemente irregulares ou alterações que não melhoram com tratamentos habituais também merecem atenção. Outros sintomas podem incluir dor pélvica, corrimento vaginal anormal, aumento abdominal, perda de peso sem causa aparente e dor persistente, especialmente em fases mais avançadas.
O diagnóstico começa com avaliação clínica e ginecológica. A ultrassonografia transvaginal costuma ser um dos primeiros exames solicitados, mas a confirmação depende da análise do tecido uterino por meio de biópsia endometrial, curetagem uterina ou histeroscopia com biópsia dirigida. Atualmente, testes moleculares também auxiliam na classificação do tumor e na definição de tratamentos mais personalizados.
O tratamento é individualizado e leva em consideração o estágio da doença, o tipo histológico, as características moleculares e as condições clínicas da paciente. Nos casos iniciais, a cirurgia é a principal abordagem, geralmente envolvendo a retirada do útero, trompas e ovários. Dependendo do risco de recorrência, podem ser indicadas radioterapia, braquiterapia e quimioterapia. Em situações específicas, mulheres jovens com desejo de preservar a fertilidade podem ser avaliadas para tratamento hormonal conservador.
Nos casos avançados ou recorrentes, a incorporação da imunoterapia associada à quimioterapia tem ampliado as opções terapêuticas e apresentado resultados importantes para muitas pacientes.
Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), estão disponíveis consultas, exames diagnósticos, biópsias, cirurgias, radioterapia e quimioterapia. No entanto, especialistas apontam desafios relacionados ao tempo para diagnóstico, acesso a exames fundamentais, encaminhamento para centros especializados e desigualdades regionais. Para os profissionais, ampliar a conscientização sobre os sintomas e acelerar o acesso ao diagnóstico são medidas essenciais para garantir tratamento adequado e em tempo oportuno.
Conteúdo resumido a partir de matéria publicada no portal do Estado de Minas. Leia a versão completa no site oficial.
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