Passar muito tempo sentado aumenta o risco de câncer?

Passar grande parte do dia sentado tornou-se uma característica da rotina moderna. Muitas pessoas permanecem horas em frente ao computador durante o trabalho e, nos momentos de lazer, continuam sentadas assistindo à televisão, usando o celular ou jogando videogame. Há anos o sedentarismo é reconhecido como um fator de risco para diversas doenças crônicas, e novas pesquisas indicam que ele também pode estar associado ao aumento do risco de câncer.

Um estudo publicado na revista PLOS Medicine analisou dados de 91.292 participantes do UK Biobank. Todos utilizaram rastreadores de atividade por sete dias e tiveram sua saúde acompanhada por mais de 12 anos, em média. Os pesquisadores definiram comportamento sedentário prolongado como permanecer sentado ou deitado continuamente por 30 minutos ou mais, com o corpo em repouso durante mais de 90% desse período. Já o comportamento sedentário intermitente ocorre quando esses períodos são interrompidos por momentos de atividade física.

Os resultados mostraram que pessoas que permaneciam sentadas continuamente por mais tempo apresentavam maior risco de desenvolver câncer e de morrer pela doença. Para cada hora adicional de sedentarismo contínuo, o risco de morte relacionada ao câncer aumentou cerca de 10%. Entre os tipos de câncer associados ao comportamento sedentário prolongado estão os de colorretal, mama, fígado, rim, pâncreas, ovário, esôfago e tireoide.

Segundo o hematologista e oncologista Dr. David Yashar, um estilo de vida sedentário favorece o ganho de peso e a obesidade, fatores já reconhecidos por elevarem o risco de diversos tipos de câncer. O excesso de gordura corporal pode provocar inflamação crônica, mecanismo relacionado ao desenvolvimento de células cancerígenas. Além disso, a obesidade aumenta o risco de câncer colorretal, enquanto a falta prolongada de atividade física pode contribuir para desequilíbrios hormonais ligados ao câncer de mama.

Embora as recomendações atuais indiquem pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, o estudo destaca que atividades leves também podem trazer benefícios. Substituir uma hora diária de sedentarismo contínuo por atividade física leve foi associado a uma redução aproximada de 12% no risco de morte por câncer. Os pesquisadores ressaltam que não importa apenas o tempo total sentado, mas também a forma como esse tempo é distribuído. Interromper períodos prolongados de inatividade com pequenas movimentações pode favorecer o metabolismo, contribuir para a regulação hormonal e reduzir processos inflamatórios. Atividades simples, como levantar para beber água, caminhar pela casa, limpar o ambiente, passar aspirador, arrumar a cama ou permanecer alguns minutos em pé, já são consideradas atividades físicas leves pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS). Embora ainda não exista comprovação de uma relação causal direta entre sedentarismo prolongado e câncer, as evidências reforçam a importância de um estilo de vida mais ativo para a prevenção de doenças.

Conteúdo resumido a partir de matéria publicada no portal Vietnam.vn. Leia a versão completa no site oficial / Imagem: Magnific


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