Mais de 16 tumores e 1% de chance: a vitória de Ana Júlia contra o câncer

Algumas histórias desafiam qualquer estatística. A de Ana Júlia Pistore é uma delas. Aos três anos de idade, ela recebeu um diagnóstico devastador: rabdomiossarcoma metastático, um câncer que já havia se espalhado por diversas partes do corpo. Diante da gravidade do quadro, seus pais ouviram dos médicos que as chances de sobrevivência eram de apenas 1%. O que parecia impossível, porém, transformou-se em uma caminhada marcada por perseverança, tratamento intensivo, oração e esperança.

Quando tudo começou

Cerca de três meses antes do diagnóstico, Ana Júlia começou a apresentar febre alta, vômitos, cansaço intenso, mal-estar e fortes dores abdominais. A família procurou atendimento médico, mas, inicialmente, os sintomas não indicavam uma doença grave.

Pouco tempo depois, sua perna travou completamente e ela passou cerca de sete dias sem conseguir andar. Internada, recebeu o diagnóstico de uma possível infecção na pelve semelhante a uma miosite. Foi tratada com antibióticos e recebeu alta.

Entretanto, a febre, os vômitos e o mal-estar persistiram por aproximadamente noventa dias.

No dia 13 de maio de 2022, sua mãe voltou a levá-la à UPA Veneza, em Cascavel (PR). Ela estava com muita febre, forte desconforto abdominal e enorme dificuldade para respirar. A suspeita inicial era de pneumonia. No entanto, ao observar um pequeno caroço na região da pelve, a Dra. Isabel Mesa solicitou uma tomografia para investigar melhor o quadro.

O resultado mudou completamente a história daquela família.

Um diagnóstico que parecia impossível

O exame revelou dois tumores nos pulmões e diversos tumores espalhados pelo abdômen. Encaminhada imediatamente ao Hospital do Câncer UOPECCAN, Ana Júlia passou por novas avaliações com o Dr. Ideraldo, a Dra. Aline e a Dra. Carmen.

Após os exames complementares, veio a confirmação: havia mais de dezesseis tumores distribuídos pelo abdômen, pelve, bexiga, fígado, intestino, mediastino e pulmão direito. Era um rabdomiossarcoma em estágio avançado, com múltiplas metástases.

Começava, então, a maior batalha da vida daquela pequena menina.

Vieram as internações prolongadas, as sessões de quimioterapia, cirurgias agressivas, complicações, efeitos colaterais e momentos em que seus pais foram preparados para a possibilidade de uma despedida.

Houve dias em que Ana Júlia não conseguia caminhar por causa da fraqueza. Em outros, não conseguia se alimentar e já não queria continuar o tratamento.

Mesmo assim, sempre encontrava forças para lutar novamente.

A esperança venceu

Em novembro de 2023, Ana Júlia alcançou a remissão da doença. Ainda assim, precisou continuar o tratamento e enfrentar novas intercorrências, além das sequelas deixadas na bexiga, nos rins e em outras áreas do organismo.

As quimioterapias terminaram em março de 2025. Hoje, aos oito anos de idade, ela está há mais de um ano sem quimioterapia. O PET-CT mais recente não apresentou qualquer foco da doença, e ela permanece em remissão.

Ao longo dessa caminhada, uma frase dita por sua mãe tornou-se um lembrete constante de coragem:

“Você tem câncer, mas o câncer não tem você.”

Ana Júlia costuma dizer que sempre foi como uma fênix, renascendo após cada batalha. A menina para quem a medicina ofereceu apenas 1% de chance de sobrevivência viu essa pequena esperança crescer a cada etapa vencida.

Sua família reconhece com profunda gratidão o trabalho da equipe médica, o apoio recebido durante o tratamento e, acima de tudo, a fidelidade de Deus em cada momento dessa jornada. Para eles, cada oração feita por familiares, amigos e pessoas que caminharam ao seu lado fortaleceu o coração quando as forças pareciam faltar.

Hoje, a história de Ana Júlia continua inspirando outras famílias que enfrentam o câncer infantil. Seu testemunho lembra que o tratamento exige coragem, perseverança e confiança. Mesmo quando o caminho parece impossível, a esperança permanece viva. E, quando ela é sustentada pela fé em Deus e pelo amor daqueles que caminham juntos, cada novo dia pode se tornar um capítulo de vitória.


Testemunho enviado por Kelly Pistore, mãe de Ana Júlia, de Cascavel (PR), que autorizou sua publicação pelo Projeto AMIGOS. Instagram: @juju_kellypistore.


Sua história pode renovar a esperança de outra família. Se você ou alguém da sua família venceu o câncer ou viveu uma experiência marcante durante o tratamento, compartilhe seu testemunho conosco. Com sua autorização, ele poderá inspirar, fortalecer e levar esperança a muitas pessoas que enfrentam essa mesma caminhada. Envie sua história pelo WhatsApp: (81) 98493-9196.


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