A contadora e professora Daniela Correa, de 41 anos, teve diagnóstico de câncer pélvico em 2022, aos 37 anos, após dores e inchaço abdominal que confundiu com parte de sua rotina de treinos e vida saudável. Para tratar a doença, ela seria submetida a cirurgia e radioterapia, o que destruiria o útero e ovários, provocando menopausa precoce e comprometendo sua fertilidade.
Para preservar seus órgãos reprodutivos, foi indicada a técnica inovadora de transposição uterina: em uma cirurgia robótica minimamente invasiva, o útero, trompas e ovários foram reposicionados para o alto abdômen, fazendo com que o tratamento local não atingisse esses órgãos. Apenas 20 dias após o diagnóstico, Daniela realizou o procedimento; passou seis meses com os órgãos deslocados enquanto fazia radioterapia; e, após receber o laudo de cura, passou por nova cirurgia para retorno dos órgãos ao local original.
Durante esse período, também enfrentou a perda da mãe para a Covid-19, o que demandou força emocional e reconexão familiar. Hoje, ela retomou a rotina, inclusive as corridas de rua, e está livre do câncer.
A técnica, desenvolvida no Brasil em 2016 e aplicada por protocolo de pesquisa, visa evitar menopausa precoce e preservar fertilidade em mulheres adultas e crianças que irão fazer radioterapia na pelve. A cirurgia robótica, de média complexidade, permite alta em até 48 horas, com órgãos funcionais – o ciclo menstrual segue normalmente e a qualidade de vida é mantida. A ginecologista Audrey Tsunoda, da SBCO, ressalta que o método é indicado para tumores de reto, intestino, bexiga, vagina e vulva, com resultados satisfatórios e retomada da rotina após o tratamento.
Esse avanço oferece nova esperança para mulheres que enfrentam câncer pélvico: é possível tratar a doença sem perder capacidade reprodutiva nem sofrer os efeitos severos da menopausa precoce – tudo isso com respaldo científico e técnica minimamente invasiva. Daniela é um exemplo inspirador de superação, tecnologia médica e resiliência, mostrando que enfrentar o câncer com ciência e apoio emocional faz diferença no resultado e na vida pós-cura.
Com informações do Viva Bem Uol
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