Medicamento alivia efeito colateral de tratamento oncológico

Ondas súbitas de calor, com suor intenso, rubor e mal-estar, não atingem apenas mulheres na menopausa. O sintoma também é comum em homens em tratamento contra o câncer de próstata submetidos à terapia de privação androgênica (TPA), que reduz drasticamente os níveis de testosterona para conter o avanço do tumor. Estima-se que entre 60% e 80% desses pacientes desenvolvam fogachos, muitas vezes várias vezes ao dia e à noite, prejudicando o sono, o humor e a qualidade de vida.

Um estudo publicado no Journal of Clinical Oncology demonstrou que a oxibutinina, medicamento usado há décadas para tratar bexiga hiperativa, pode reduzir a frequência e a intensidade dos fogachos em homens com câncer de próstata em terapia hormonal. A substância atua nos circuitos cerebrais responsáveis pela regulação térmica. Embora já tivesse mostrado eficácia em mulheres, esta é a primeira investigação em pacientes do sexo masculino.

A pesquisa, conduzida por especialistas da Clínica Mayo, incluiu 88 homens que apresentavam ao menos 28 episódios semanais. Eles foram divididos em três grupos: placebo, oxibutinina 2,5 mg duas vezes ao dia e 5 mg duas vezes ao dia. Durante seis semanas, os participantes registraram frequência e intensidade dos sintomas e responderam questionários sobre impacto na rotina.

A dose mais alta foi associada à redução média de quase sete episódios diários, enquanto no grupo placebo a diminuição foi pouco superior a dois. Quase 80% dos pacientes que receberam a dose maior alcançaram redução de pelo menos 50% nos fogachos. Também houve melhora significativa no sono, bem-estar emocional e desempenho nas atividades cotidianas.

Os efeitos adversos mais comuns foram boca seca e leve alteração visual, sem registro de eventos graves. Ainda são necessários estudos mais longos para avaliar a segurança em uso prolongado, especialmente em idosos.

No Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer, são esperados 77.920 novos casos de câncer de próstata em 2026, alta superior a 8% em relação ao ano anterior. O tratamento varia conforme estágio e agressividade, podendo incluir bloqueio hormonal, quimioterapia e radioisótopos. Especialistas consideram a oxibutinina uma alternativa promissora para melhorar a adesão ao tratamento e preservar a qualidade de vida.


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