El Niño e o tratamento do câncer: riscos, cuidados e orientações para pacientes e familiares

O possível retorno do fenômeno El Niño traz preocupações que vão além da agricultura, do abastecimento de água e dos impactos econômicos. Para pessoas em tratamento contra o câncer, as mudanças no clima podem representar desafios adicionais que exigem atenção da família, dos cuidadores e da equipe de saúde.

De acordo com especialistas em meteorologia, o El Niño altera os padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do Brasil. Dependendo da localização, o fenômeno pode favorecer ondas de calor, períodos de seca, baixa umidade do ar, aumento das queimadas ou chuvas intensas e enchentes. Esses eventos afetam diretamente a saúde da população, especialmente das pessoas mais vulneráveis, como pacientes oncológicos.

Por que pacientes com câncer precisam de atenção especial?

O tratamento oncológico pode reduzir temporariamente as defesas do organismo, principalmente durante a quimioterapia, alguns tratamentos-alvo, transplantes de medula óssea e em determinados tipos de câncer hematológico. Além disso, muitos pacientes convivem com fadiga, alterações na hidratação, perda de apetite e maior sensibilidade às mudanças ambientais.

Por isso, situações de calor extremo, fumaça de incêndios, baixa umidade do ar ou dificuldades de deslocamento provocadas por chuvas intensas podem aumentar o risco de complicações e até comprometer a continuidade do tratamento.

Como o El Niño pode impactar a saúde dos pacientes?

Calor intenso e desidratação

As ondas de calor aumentam o risco de desidratação, queda da pressão arterial, tonturas e exaustão física. Alguns medicamentos utilizados no tratamento do câncer também podem favorecer alterações na regulação da temperatura corporal.

A desidratação pode agravar efeitos colaterais da quimioterapia, favorecer problemas renais e aumentar o mal-estar geral.

Baixa umidade e problemas respiratórios

Em diversas regiões do país, o El Niño costuma favorecer períodos prolongados de tempo seco e baixa umidade do ar.

Esse cenário pode provocar:

  • ressecamento das vias respiratórias;
  • irritação nos olhos, nariz e garganta;
  • piora de doenças respiratórias pré-existentes;
  • maior desconforto em pacientes com radioterapia de cabeça e pescoço;
  • aumento da vulnerabilidade a infecções respiratórias.

Fumaça das queimadas

Durante anos de El Niño, cresce o risco de incêndios florestais em algumas regiões brasileiras. A fumaça contém partículas finas capazes de irritar os pulmões e reduzir a qualidade do ar, aumentando o risco de complicações respiratórias, principalmente em idosos, crianças e pessoas imunossuprimidas.

Pacientes que apresentam falta de ar, tosse persistente ou doenças pulmonares devem redobrar os cuidados durante esses períodos.

Chuvas intensas e enchentes

Enquanto algumas regiões enfrentam seca, outras podem registrar chuvas acima da média.

Além dos riscos naturais, enchentes podem provocar:

  • dificuldade para chegar às consultas e sessões de tratamento;
  • interrupções no transporte;
  • falta de energia elétrica;
  • dificuldade para armazenar medicamentos que necessitam refrigeração;
  • aumento do contato com água contaminada.

Sempre que houver previsão de eventos climáticos severos, é importante conversar previamente com a equipe responsável pelo tratamento para saber como agir caso ocorram dificuldades de deslocamento.

Cuidados importantes para pacientes e familiares

  • manter hidratação adequada ao longo do dia, conforme orientação médica;
  • evitar exposição ao sol nos horários mais quentes;
  • permanecer em ambientes ventilados e protegidos do calor excessivo;
  • utilizar umidificadores ou recipientes com água quando a umidade estiver muito baixa (seguindo orientações para evitar mofo e contaminação);
  • manter janelas fechadas quando houver muita fumaça de queimadas;
  • utilizar máscara quando houver recomendação médica e necessidade de exposição à fumaça ou ambientes com maior circulação de pessoas;
  • não interromper medicamentos sem orientação da equipe de saúde;
  • acompanhar as previsões meteorológicas e organizar deslocamentos para consultas com antecedência;
  • manter os telefones do hospital e da equipe médica sempre atualizados.

Atenção aos sinais de alerta

Durante períodos de calor intenso ou baixa umidade, procure assistência médica imediatamente se o paciente apresentar:

  • febre igual ou superior a 38°C;
  • dificuldade para respirar;
  • tontura intensa;
  • confusão mental;
  • desmaios;
  • redução importante da quantidade de urina;
  • vômitos persistentes;
  • sinais importantes de desidratação.

Para pacientes em quimioterapia, especialmente aqueles com baixa imunidade, a febre sempre merece avaliação médica urgente.

O papel dos cuidadores

Familiares e cuidadores exercem um papel fundamental durante períodos de eventos climáticos extremos.

Além de incentivar a hidratação, observar sinais de piora clínica e organizar o transporte para consultas, também é importante garantir que o paciente permaneça em um ambiente confortável, bem ventilado e protegido tanto do calor excessivo quanto da fumaça proveniente de queimadas.

Em alguns casos, pequenas mudanças na rotina fazem grande diferença para preservar o bem-estar durante o tratamento.

Informação e prevenção caminham juntas

Nem todos os pacientes serão afetados da mesma forma pelo El Niño. Os impactos variam conforme a região do país, o tipo de câncer, o tratamento realizado e as condições clínicas de cada pessoa.

Por isso, a melhor estratégia é manter-se informado, seguir as orientações da equipe médica e adotar medidas simples de prevenção sempre que houver previsão de calor intenso, seca, fumaça ou chuvas fortes.

O Projeto AMIGOS reforça que cuidar da saúde também significa antecipar riscos. Com informação confiável, apoio da família e acompanhamento profissional, é possível enfrentar os desafios impostos pelo clima sem perder o foco no que realmente importa: a continuidade do tratamento e a esperança de dias melhores.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a orientação da equipe médica responsável pelo tratamento. Em caso de dúvidas ou surgimento de sintomas, procure imediatamente o serviço de saúde onde o paciente é acompanhado.

Referências

1. Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Orientações aos pacientes e familiares

2. Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Quimioterapia – orientações aos pacientes

3. Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Guia de nutrição para pacientes e cuidadores

4. Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale)
Alimentação e câncer

5. Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale)
Atendimento nutricional para pacientes com câncer

6. Instituto Nacional de Meteorologia (INMET)
Portal oficial com avisos meteorológicos, previsões e informações climáticas

7. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Portal oficial com informações sobre clima, monitoramento ambiental e fenômenos meteorológicos

8. Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Portal institucional com conteúdos sobre saúde pública e eventos climáticos

9. Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)
Portal oficial com informações para profissionais e pacientes sobre oncologia

10. Estadão
El Niño no Brasil: governo faz previsões sobre chuva, incêndios e ondas de calor

Este artigo foi produzido pelo Projeto AMIGOS a partir da reportagem do Estadão, intitulada "El Niño no Brasil: governo faz previsões sobre chuva, incêndios e ondas de calor". O conteúdo foi desenvolvido de forma independente, ampliado com informações de instituições brasileiras reconhecidas e adaptado para abordar os impactos do fenômeno sobre pacientes oncológicos, familiares e cuidadores.

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