Segurança do paciente no câncer envolve cuidados antes, durante e após o tratamento

Na sala de quimioterapia, uma bolsa de medicamento pode representar mais uma etapa para quem já conhece aquela rotina. Para a equipe, porém, antes que a medicação seja administrada existe uma sequência de conferências. Nome, medicamento, dose, horário e outras informações precisam corresponder. A pergunta “qual é o seu nome completo?” pode parecer simples, mas integra uma etapa destinada a confirmar que o cuidado será realizado para a pessoa correta.

Durante o tratamento oncológico, essa atenção acompanha diferentes momentos. Informações podem mudar entre uma consulta e outra, medicamentos podem ser acrescentados e sintomas podem surgir depois de uma sessão. A segurança, portanto, não depende de uma única conferência, mas de uma sequência de cuidados.

A identificação vem antes da medicação

O protocolo do Ministério da Saúde estabelece medidas para garantir a correta identificação do paciente e reduzir a ocorrência de incidentes. Entre as orientações está a utilização de pelo menos dois identificadores e a confirmação da identidade antes de determinadas etapas da assistência.

Na prática, o paciente pode conferir seus dados, observar se as informações de identificação estão corretas e comunicar qualquer divergência. Em um tratamento que pode envolver quimioterapia, medicamentos de suporte, exames e outros procedimentos, essa conferência ajuda a manter cada etapa relacionada à pessoa que está recebendo o cuidado.

O uso de medicamentos também depende de informação

A segurança não termina quando o medicamento é prescrito. O protocolo nacional sobre prescrição, uso e administração de medicamentos contempla conferências relacionadas ao paciente, ao medicamento, à dose, à via e ao horário, entre outros elementos do processo.

Para quem está em tratamento, também é importante informar os medicamentos já utilizados, alergias conhecidas e mudanças ocorridas desde o atendimento anterior. A própria Anvisa orienta pacientes, familiares e acompanhantes a perguntarem o nome do medicamento, para que ele serve, como deve ser utilizado e quais efeitos pode provocar.

Higiene e sinais de infecção entram na rotina

A higiene das mãos é uma das medidas adotadas para reduzir riscos de transmissão de microrganismos nos serviços de saúde. A Anvisa utiliza o conceito dos cinco momentos: antes de tocar o paciente, antes de procedimento limpo ou asséptico, após risco de exposição a fluidos corporais, após tocar o paciente e após contato com superfícies próximas.

Na oncologia, a observação de sintomas também merece atenção. O INCA orienta que pacientes em quimioterapia procurem o hospital em caso de febre igual ou superior a 37,8 °C e que, a cada retorno, relatem à equipe tudo o que sentiram depois da quimioterapia.

Isso significa que a segurança continua fora da sala de tratamento. Uma alteração percebida em casa, uma reação após a sessão ou um sintoma diferente do habitual pode fornecer à equipe uma informação importante para a condução do cuidado.

Pedir ajuda também faz parte da segurança

Tontura, fraqueza, mal-estar, desconforto durante uma infusão ou dificuldade para compreender uma orientação são situações em que avisar a equipe é mais seguro do que tentar resolver sozinho. O INCA, por exemplo, orienta que o paciente comunique imediatamente ao enfermeiro qualquer desconforto na veia durante a quimioterapia.

Participar do cuidado, entretanto, não significa assumir a responsabilidade pela segurança da assistência. Os serviços de saúde continuam responsáveis pelos protocolos, pela organização do atendimento e pelo gerenciamento dos riscos. A participação do paciente acrescenta informações, perguntas e percepções que podem contribuir para uma comunicação mais completa. A Anvisa reconhece pacientes, familiares e cuidadores como participantes da segurança e mantém orientações específicas para essa participação.

No câncer, cada sessão traz uma nova oportunidade de conferir, informar e perguntar. Segurança está nessa continuidade: confirmar antes de administrar, comunicar antes de decidir e pedir ajuda quando algo mudar. São cuidados simples, mas fazem parte de uma assistência que mantém o paciente no centro de cada etapa.


Imagem ilustrativa: criada com o auxílio de inteligência artificial para representar o tema deste conteúdo, preservando a identidade e a privacidade de pacientes e familiares.


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