Hábitos do cotidiano entram no debate sobre a prevenção do câncer de estômago

Quatro em cada dez brasileiros dizem nunca praticar atividade física, e proporção semelhante afirma não consumir alimentos frescos todos os dias. Os dados fazem parte de uma pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu 2.015 pessoas com 16 anos ou mais nas 27 Unidades da Federação, entre 25 e 30 de junho de 2026. Pesquisa A.C.Camargo/Nexus

O levantamento também mostrou que 33% consomem ultraprocessados três ou mais vezes por semana. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 17% relataram consumo diário, contra 4% entre os entrevistados com 60 anos ou mais. Enquanto 59% avaliaram a própria saúde como ótima ou boa, 63% dos adultos estavam acima do peso ideal, segundo peso e altura declarados.

A pesquisa retrata hábitos e percepções. A relação desses comportamentos com o câncer depende das evidências específicas para cada fator.

Câncer de estômago ainda tem peso no Brasil

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 22.530 novos casos de câncer de estômago para cada ano do triênio 2026–2028. São 13.830 casos entre homens e 8.700 entre mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a doença ocupa a quinta posição entre os tipos mais incidentes no país e a quarta entre os homens.

O câncer gástrico não tem uma única causa. O INCA aponta a infecção pela bactéria Helicobacter pylori entre os principais fatores associados, além do excesso de gordura corporal, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e ingestão frequente de alimentos conservados em sal. A baixa ingestão de frutas e vegetais também está relacionada ao risco.

Alimentação e rotina entram na prevenção

Os números da pesquisa mostram a presença desses hábitos no cotidiano, mas não definem sozinhos o risco de câncer de estômago. Para a doença, o INCA destaca especialmente o excesso de sal e alimentos conservados no sal, além de fatores como álcool, tabagismo, excesso de peso e inatividade física.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, orienta que a base da alimentação seja formada por alimentos in natura ou minimamente processados e recomenda evitar ultraprocessados.

Em 2026, o V Consenso Brasileiro sobre a infecção por H. pylori, publicado pela revista Arquivos de Gastroenterologia, reuniu 26 especialistas e apresentou 34 recomendações para o diagnóstico e tratamento da bactéria. O documento recomenda a erradicação da infecção nas pessoas infectadas e destaca esse tratamento na prevenção primária e secundária do câncer gástrico.

A presença da bactéria, porém, não significa que a pessoa terá câncer. A infecção também está associada a gastrite crônica e úlcera, e o desenvolvimento do tumor envolve diferentes fatores.

Sintomas podem parecer problemas comuns

No início, o câncer de estômago pode não apresentar sinais claros. Quando aparecem, dor ou desconforto na parte superior do abdômen, perda de peso e de apetite, refluxo e indigestão podem se confundir com problemas digestivos frequentes.

Dificuldade para engolir, anemia, vômitos com sangue ou fezes escurecidas também estão entre os sinais que precisam de avaliação. Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas devem ser investigados quando persistem.

O INCA não recomenda rastreamento populacional do câncer de estômago para pessoas sem sintomas. A investigação é indicada diante de sinais ou sintomas suspeitos, de acordo com a avaliação médica.


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