Quando uma família chega ao AMIGOS, o primeiro contato também precisa acolher

Antes de a atividade começar, os voluntários já estão envolvidos com os detalhes da visita. Há brinquedos separados, lanches sendo organizados e materiais que serão entregues.

Pode haver uma criança querendo brincar assim que entra na sala. Um adolescente pode preferir ficar mais quieto. A mãe talvez queira conversar; o pai, apenas acompanhar. Também há dias em que o cansaço fala mais alto. Para nós, o primeiro contato começa aí: perceber a situação sem transformar a visita em uma sequência de perguntas.

O diagnóstico muda a rotina de toda a casa

O câncer infantojuvenil repercute na vida da criança, do adolescente e de quem está ao redor. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) orienta que esse cuidado considere o contexto familiar e que o suporte psicossocial esteja presente desde o início do tratamento.

A rotina pode envolver consultas, internações, deslocamentos, mudanças na escola e trabalho interrompido. No Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (NACC), no Recife, uma conversa pode começar pelo assunto mais simples, sem exigir um relato completo do tratamento.

Escutar sem ocupar o lugar da equipe de saúde

No AMIGOS, ouvir não significa interpretar sintomas, comentar exames ou sugerir mudanças no tratamento. Consultas, diagnósticos e decisões clínicas continuam sob responsabilidade dos profissionais que acompanham o paciente.

Nossa contribuição acontece em outro espaço: conversar, brincar, compartilhar um lanche, entregar materiais, estar com os familiares e orar para quem deseja. Apoio voluntário e cuidado médico têm funções diferentes.

Uma visita não precisa seguir um roteiro único

Nem toda participação acontece da mesma maneira. Há quem se envolva logo com uma brincadeira, quem prefira conversar com os voluntários e quem permaneça mais reservado. O importante é que a atividade não se torne mais uma cobrança para quem já vive uma rotina exigente.

O Estatuto da Criança e do Adolescente assegura os direitos à liberdade, ao respeito e à dignidade. O texto legal também protege opinião e expressão, crença e culto religioso, brincar e a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores e das crenças.

A participação pode acontecer de formas diferentes. A fé cristã faz parte da identidade do Projeto AMIGOS. Bíblias e oração estão presentes quando existe abertura para recebê-las, respeitando também quem pensa ou crê de outra maneira.

O que queremos que a família encontre

O primeiro contato precisa deixar algumas coisas claras: quem somos, o que podemos oferecer e até onde vai a nossa atuação.

Durante uma visita, pode haver uma brincadeira, um lanche, a entrega de uma Bíblia ou de um kit e uma conversa com os voluntários. São ações simples, mas fazem parte da maneira como escolhemos estar perto dessas famílias.

O AMIGOS não substitui a equipe de saúde nem promete resolver o tratamento. Nossa parte é conviver, apoiar, servir e, quando desejado, orar.

É desse lugar que queremos começar uma relação: conhecendo a família pelo que ela apresenta naquele encontro, sem reduzi-la ao diagnóstico e sem transformar o apoio em obrigação.


Foto em destaque registrada durante uma visita do Projeto AMIGOS ao NACC, em setembro de 2024, em um momento de música, reflexão e convivência com as famílias.


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