Câncer de mama, medo e desafios levam Tatiana a descobrir forças para recomeçar

Aos 51 anos, Tatiana Ferreira olha para os últimos anos como um período que mudou completamente sua vida. Moradora de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, ela tinha 49 anos quando percebeu um nódulo na mama ao se apalpar. O medo veio quase imediatamente. Uma tia havia morrido de câncer de mama, e outros familiares também enfrentaram diferentes tipos da doença. Tatiana se tornou a primeira sobrinha da família a receber um diagnóstico de câncer.

O medo fez com que demorasse a procurar ajuda. Enquanto isso, o nódulo cresceu e a mama começou a ficar dolorida. Tatiana então procurou um mastologista, que solicitou uma ultrassonografia das mamas. Segundo ela, o médico que realizou o exame ressaltou que havia 99% de chance de se tratar de câncer. A biópsia confirmou a suspeita e apontou carcinoma invasivo, com metástase linfonodal e alta multiplicação celular.

O diagnóstico e os dias mais difíceis

Receber a confirmação foi um choque. Tatiana saiu do hospital desnorteada, chorando muito. Tentava lidar com o desespero de uma forma quase automática: acendia um cigarro, jogava fora e acendia outro. A família permaneceu ao seu lado naquele momento.

Vieram as cirurgias. Na primeira, realizada na mama e na axila, as margens não estavam livres e foi necessário voltar ao centro cirúrgico para uma segunda cirurgia. Para Tatiana, essa foi a etapa mais difícil. O medo aumentou e, depois daquele período, começaram os sintomas de ansiedade e síndrome do pânico. Mais tarde, ela também recebeu o diagnóstico de depressão.

A vida mudou completamente. Tatiana passou a fazer uso de medicação e deixou de dirigir. Depois vieram a quimioterapia, a radioterapia e os exames que passaram a fazer parte da sua rotina. Houve momentos em que ela perdeu a vontade de continuar.

Fé e acolhimento

Foi nesse período que Tatiana encontrou na fé católica um apoio para atravessar os dias mais difíceis. Ela conta que Deus e Nossa Senhora foram seu colo durante a caminhada e continuam presentes em sua vida.

Também fez uma promessa a Nossa Senhora relacionada ao cabelo. Sempre que os exames de acompanhamento indicarem remissão da doença, Tatiana manterá o compromisso de cortar o cabelo na máquina 2. A promessa será cumprida ao longo de sete anos, enquanto ela seguir recebendo os resultados que apontam a remissão.

Na busca por cuidar também das feridas emocionais, procurou apoio psicológico. Antes de chegar ao Instituto Nélia Almeida, havia passado por três psicólogos, mas não conseguia falar sobre seus traumas. Foi no Instituto que conseguiu se abrir de outra maneira.

“Ali me senti acolhida”, conta.

Para Tatiana, encontrar esse espaço foi importante em uma fase em que precisava lidar não apenas com o que o câncer provocava em seu corpo, mas também com tudo o que havia mudado dentro dela.

Um dia de cada vez

Depois de tudo o que viveu, Tatiana diz que começou a enxergar a vida de outra maneira. Passou a aproveitar mais a natureza, a amar e a se amar e respeitar mais.

Hoje, segue em tratamento oral. Há dores, dias bons e dias ruins, e a necessidade de continuar acompanhando a própria saúde. Segundo Tatiana, os exames realizados durante esse acompanhamento têm mostrado a doença em remissão.

Como mãe solo, ela também carrega um desejo que ganhou um significado ainda maior depois do diagnóstico: terminar de criar a filha, vê-la formada e independente.

É por ela, por si mesma e pelos próximos capítulos da própria vida que Tatiana continua. Não porque os dias tenham ficado fáceis, mas porque aprendeu a enfrentá-los de outra maneira.

“Um dia de cada vez”, como ela mesma diz.

Quando pensa em alguém que acabou de receber um diagnóstico de câncer e está com medo do que vem pela frente, Tatiana deixa uma mensagem direta, nascida da própria experiência:

“Não desistir e sempre confiar que Deus tudo pode!”

A história ainda está sendo escrita. Entre o tratamento, as dores, os dias bons e difíceis, a fé e o desejo de ver a filha seguir seu próprio caminho, Tatiana continua. Um dia de cada vez.


Crédito: Testemunho, informações pessoais e fotografias cedidos por Tatiana Ferreira, com autorização para publicação, edição e compartilhamento pelo Projeto AMIGOS.


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