Depois de semanas ou meses acompanhando a queda dos cabelos durante a quimioterapia, chega um momento que muitas mulheres esperam: os primeiros fios começam a aparecer novamente. A surpresa pode vir logo depois. O cabelo que nasce nem sempre é igual ao de antes do tratamento. Pode ter outra espessura, ficar mais ondulado ou mais liso e até apresentar uma mudança de cor.
No câncer de mama, porém, nem todas as pacientes recebem quimioterapia. O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo, conforme as características da doença e as condições de cada paciente, como explica o INCA.
Quando a quimioterapia causa queda dos cabelos, o efeito costuma aparecer nas primeiras semanas. O INCA informa que a alopecia geralmente começa entre 14 e 21 dias após o início do tratamento e que, na maioria dos casos, o cabelo volta a crescer depois do fim da quimioterapia.
O crescimento, entretanto, não é necessariamente uma repetição do que existia antes. Um estudo multicêntrico com 1.478 mulheres tratadas de câncer de mama mostrou que 98% relataram recrescimento dos cabelos. Entre as participantes avaliadas seis meses depois do início desse processo, 63% perceberam fios mais ondulados. O intervalo médio entre o fim da quimioterapia e o aparecimento dos primeiros fios foi de 3,3 meses entre as mulheres cujo crescimento começou após o tratamento.
A razão está no funcionamento dos folículos. Os medicamentos da quimioterapia atingem células que se multiplicam rapidamente e podem interferir temporariamente nas estruturas responsáveis pela formação dos fios. Quando os folículos retomam sua atividade, o novo cabelo pode apresentar características diferentes das anteriores. A Revista Brasileira de Cancerologia também destaca que a alopecia relacionada à quimioterapia pode repercutir na autoimagem e na autoestima.
Essa dimensão pode continuar presente mesmo depois que o cabelo volta. Um relato de caso publicado em 2025 na Revista Brasileira de Cancerologia discutiu o sofrimento psíquico relacionado à alopecia em uma mulher negra com câncer de mama e chamou atenção para desafios específicos na prevenção da queda em cabelos crespos.
Na maioria dos casos, os fios voltam a crescer, mas o ritmo e a aparência variam. No estudo japonês, cerca de 4% das participantes apresentavam, dois anos depois da quimioterapia, recuperação de menos de 30% dos cabelos no couro cabeludo.
Por isso, encontrar cabelos diferentes ao se olhar no espelho depois do tratamento não é, por si só, sinal de que algo esteja errado. E a aparência dos fios não permite avaliar se o câncer está controlado ou se o tratamento foi bem-sucedido. Essas respostas dependem da doença, de suas características e do acompanhamento médico.
Para algumas mulheres, essa fase coincide com a retomada de hábitos e planos que ficaram em segundo plano durante o tratamento. O cuidado com os cabelos volta a fazer parte da rotina, agora acompanhado pela adaptação à aparência dos novos fios.
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