Depois de passar pelo câncer de mama, algumas mulheres voltam a pensar em planos que ficaram suspensos durante o tratamento. Para quem deseja ter filhos, uma dúvida pode aparecer já na gestação: será possível amamentar?
Em alguns casos, sim. A experiência, porém, pode ser diferente da imaginada antes do diagnóstico, porque o tipo de cirurgia, a radioterapia, os medicamentos e a produção de leite interferem nessa possibilidade.
Os estudos mostram que é possível
Uma análise do estudo POSITIVE, publicada em 2025 no Journal of Clinical Oncology, avaliou mulheres com câncer de mama inicial e receptores hormonais positivos que tiveram filhos após interromper temporariamente a hormonioterapia dentro das condições previstas pelo estudo. Das 313 mulheres incluídas na análise, 196 amamentaram, o equivalente a 62,6%. No acompanhamento inicial, não houve diferença nos eventos relacionados ao câncer entre as que amamentaram e as que não amamentaram.
O resultado é relevante, mas não vale como regra para todas as mulheres que tiveram câncer de mama. As participantes tinham características clínicas específicas, e o acompanhamento disponível ainda não responde completamente à questão da segurança no longo prazo.
A cirurgia pode mudar a amamentação
A possibilidade de amamentar também está ligada ao tratamento realizado.
No estudo POSITIVE, 77,8% das mulheres que passaram por cirurgia conservadora amamentaram. Entre as mulheres submetidas à mastectomia unilateral, 45,2% amamentaram.
Os dados ajudam a mostrar o que pode acontecer na prática. Quando uma das mamas foi retirada, a outra pode assumir a produção de leite. Mesmo quando a mama é preservada, porém, a quantidade produzida pode não ser a mesma de antes do tratamento.
A radioterapia também pode afetar a capacidade de produção de leite da mama tratada. Uma revisão publicada em 2026 reuniu estudos sobre a experiência de mulheres que amamentaram após o câncer de mama e encontrou relatos de produção insuficiente, dor nos mamilos e pouco conhecimento sobre o tema entre profissionais de saúde.
O tratamento continua fazendo diferença
Terminar a quimioterapia não significa, por si só, que a amamentação esteja liberada.
Não existe um intervalo único para todos os medicamentos. O tempo necessário depende da substância utilizada, e outros tratamentos contra o câncer de mama também podem ser incompatíveis com o aleitamento enquanto estiverem em uso.
A publicação revisada do Ministério da Saúde em 2025 reúne recomendações específicas para diferentes medicamentos e mostra por que essa decisão precisa considerar o tratamento recebido, e não apenas a data da última sessão.
Por isso, quem pretende engravidar ou amamentar depois do câncer pode precisar planejar essa etapa com a equipe que acompanha o tratamento. Dependendo da situação, pode ser necessário esperar, adaptar a amamentação ou lidar com uma produção menor de leite.
A dificuldade pode aparecer depois do parto
É depois do nascimento que algumas limitações ficam mais evidentes. A mulher pode querer amamentar e descobrir, na prática, que a produção não é suficiente ou que a mama tratada responde de outra maneira.
A revisão publicada em 2026 chama atenção para esse período. Além das dificuldades físicas, os estudos relatam falta de apoio da família e da equipe de saúde e pouco conhecimento sobre as particularidades da amamentação depois do câncer.
Amamentar depois do câncer de mama pode ser possível, mas a experiência depende do tratamento que ficou para trás e das condições encontradas no presente. Para algumas mulheres, será necessário adaptar a forma de amamentar; para outras, a produção de leite poderá permanecer limitada.
Imagem ilustrativa: criada com o auxílio de inteligência artificial para representar o tema deste conteúdo, preservando a identidade e a privacidade de pacientes e familiares.
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