Quais as principais dúvidas dos pacientes que recebem um diagnóstico de câncer?

Por que alguns cânceres são mais difíceis de tratar do que outros? Segundo a oncologista francesa Laurence Albigès, chefe de setor no Instituto Gustave Roussy, o prognóstico depende de múltiplos fatores, como o órgão afetado, o tipo de tumor e, principalmente, a extensão da doença no momento do diagnóstico. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 2022, houve 20 milhões de novos casos de câncer e 9,7 milhões de mortes no mundo. O Observatório Global do Câncer reúne informações de 185 países e 36 tipos da doença, mostrando que dez tumores concentram dois terços dos casos e óbitos.

O câncer de pulmão lidera em incidência (2,5 milhões de casos), seguido por mama (2,3 milhões), colorretal (1,9 milhão), próstata (1,5 milhão) e estômago (970 mil). Albigès ressalta que a palavra “câncer” provoca medo, mas que as dúvidas tendem a diminuir com o início do tratamento — e que é essencial manter o diálogo aberto.

O estágio da doença é determinante: nos estágios 1 e 2, o tumor está restrito ao órgão de origem e as chances de remissão e cura são maiores; no estágio 3, começa a se espalhar; no 4, há metástase. As estatísticas de mortalidade orientam a prática médica, mas não definem o destino individual, já que cada paciente possui características próprias e acesso progressivo a terapias inovadoras.

Fatores como sistema de saúde, acesso a medicamentos, qualificação profissional e financiamento também influenciam remissão e sobrevida. Há ainda diferenças entre cânceres sólidos e hematológicos (“líquidos”), detectáveis em exames como hemograma. A morfologia do órgão pode dificultar cirurgias, como em tumores cerebrais infiltrativos. A ausência de sintomas em alguns casos, como no pâncreas, compromete o diagnóstico precoce.

Na França, programas de prevenção personalizada e biópsia líquida — que detecta DNA tumoral no sangue — buscam antecipar a doença. Enquanto quimioterapia, radioterapia e imunoterapia seguem como referência, novas terapias em estudo ampliam as perspectivas. Em muitos casos, o câncer deixa de ser sentença de morte e passa a ser tratado como doença crônica.


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